04/11/2003 5/7

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MÍDIA & TRANSGÊNICOS
Guardian, não dá pra não ler

Marinilda Carvalho

No artigo "Uma pesquisa para ser divulgada", texto anterior desta seção, o jornalista Marcos Rolim diz não saber se a imprensa brasileira prestou atenção à divulgação em Londres do maior experimento científico sobre transgênicos já realizado, patrocinado pelo governo britânico. Pode-se dizer que prestou alguma atenção, mas não estava lá muito concentrada. Vários jornais deram a matéria, traduções burocráticas dos telegramas das agências. Envolvidos e interessados nesta explosiva questão não foram chamados a comentar, sabe-se lá por quê... Afinal, o principal argumento, seja contra ou a favor dos transgênicos, é que pouco se sabe a respeito. Na hora em que cientistas apresentam os resultados de um trabalho que traz alguma luz ao tema a mídia não repercute entre produtores, especialistas e público. Não é estranho?

A cobertura da polêmica dos transgênicos, aliás, lembra a das reformas. Publicam-se muitas matérias sobre as brigas entre as partes, os lances sensacionais, mas esclarecimento mesmo, que é bom, acha-se pouco. Por exemplo, uma busca na internet atrás de dados sobre aposentadoria por idade revela-se quase infrutífera. A página do INSS <http://www.mpas.gov.br/> é confusa, e a mídia, omissa.

Parvoíce suspeita

Não é por falta de exemplo que nossa imprensa trata mal os transgênicos. O diário britânico The Guardian <http://www.guardian.co.uk/>, como, por sinal, registra o texto, também desta seção, "Veja extermina o quote people", da jornalista Cláudia Viegas, oferece cobertura extensa e aprofundada de OGM, uma das melhores do mundo. E digna de que nela nos espelhemos, já que, como no Brasil, também no Reino Unido há disputa intensa sobre o assunto, bem mais antiga do que a nossa. O conteúdo do Guardian na internet é de acesso livre, ou seja, os coleguinhas poderiam fazer com freqüência consultas proveitosas.

Uma das matérias mais instigantes sobre OGM no Guardian foi publicada no dia 7/10. Salvo possível engano, só apareceu por aqui num blog e na página do Indymedia Brasil <www.brasil.indymedia.org/en/red/2003/10/265262.shtml>: pesquisa promovida pela ONG Farm, de fazendeiros independentes, revelou que nenhuma das cinco principais seguradoras britânicas daria cobertura a plantadores de OGMs. Nem a não-plantadores de OGMs em busca de proteção contra o perigo de contaminação pelas culturas transgênicas. Não é esquisito que a notícia de um tal golpe no bolso dos produtores não seja relevante para o Brasil, num momento em que fazendeiros pró e contra transgênicos brigam como loucos?

Para falar a verdade, talvez essa parvoíce não seja estranha ou esquisita. A palavra certa é suspeita.

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Equívocos e omissões sobre transgênicos – Marilena Lazzarini

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