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OFJOR CIÊNCIA 99
OfJor Ciência 99 – Oficina OnLine de Jornalismo Científico é uma iniciativa do Observatório da Imprensa, Labjor e Uniemp.
JORNALISMO CIENTÍFICO
A Newsletter, do Labjor
Carlos Vogt
Acaba de sair o número 11 (outubro/99) da Newsletter - órgão de comunicação do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Unicamp, com notas e informações de interesse para os que têm alguma ligação com o jornalismo e com a divulgação científica, mesmo que apenas de curiosidade afetiva.
Destaque-se a atualização das informações sobre o andamento das atividades do Curso de Jornalismo Científico, oferecendo um elenco importante de disciplinas neste segundo semestre de sua realização, além das palestras proferidas por ilustres convidados, como os jornalistas Luciano Martins e Luis Victorelli.
A notícia de que a revista eletrônica de jornalismo científico Com Ciência está no ar, e disponível pela Internet, confirma a aspiração dos coordenadores do curso de ter um laboratório dinâmico de produção de textos e matérias na área, para treinamento dos estudantes, com a visibilidade pública que um projeto como esse deve ter.
O artigo "Educação Científica para o Público", de Hiroo Imura, membro do Conselho de Ciência e Tecnologia junto ao gabinete do primeiro-ministro do Japão, traduzido pelo professor José Monserrat Filho; as notícias sobre o Seminário Internacional "Hacia una Nueva Reforma Universitaria", na Argentina; sobre a biblioteca virtual Scielo e sobre as bolsas da Fapesp para Jornalismo Científico, além da reportagem com o professor Célio Lopes da Silva, coordenador da equipe responsável pela pesquisa sobre a vacina gênica e, para nosso orgulho, aluno do Curso de Jornalismo Científico, ampliam o horizonte de interesses que este número da Newsletter pode despertar.
A revista eletrônica Com Ciência, do Curso de Jornalismo Científico, traz em sua página atual matéria instigante sobre a Rota dos Goiases e a utilização da cartografia colonial e de imagens de satélite na pesquisa histórica, além de matéria sobre Fitoterapia e sobre o projeto Genoma da cana-de-açúcar.
Com Ciência está disponível no endereço <www.epub.org.br/comciencia>, devendo ter, proximamente, um link sistemático com a rubrica Ofjor Ciência do Observatório da Imprensa.
Para os que se interessarem por receber a Newsletter, o meio mais simples é acessar a página do Labjor na Internet <www.uniemp.br/labjor> e, por aí, cadastrar-se.
A página do Labjor oferece também uma versão eletrônica da Newsletter.
Com Ciência está no ar
Mônica Macedo
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Já está na terceira edição a revista eletrônica Com Ciência, do Curso de Especialização em Jornalismo Científico do Labjor/DPCT/DMM Unicamp. A edição de outubro traz matéria sobre a vacina gênica contra a tuberculose, inventada pelo Laboratório de Vacinas Gênicas da Faculdade de Medicina da USP/Ribeirão Preto, sob a coordenação de Célio Lopes Silva.
O destaque do número zero foi a reportagem "Doce genoma", sobre o projeto de seqüenciamento do genoma da cana-de-açúcar. No número 1, destacou-se "Fitoterapia" - o conhecimento popular e o científico a respeito dos fitoterápicos, usos e abusos da fitoterapia, relevância econômica e para a saúde pública, os riscos da extração indiscriminada para a biodiversidade, projetos de pesquisa brasileiros sobre o assunto (Farmácias Vivas, de Fortaleza e outros). A reportagem traz também uma entrevista com Luís Carlos Marques, pesquisador do Departamento de Farmácia e Farmacologia da Universidade Estadual de Maringá, envolvido na regulamentação da fitoterapia no país.
O principal tema do número 2 foi "Rota dos Goiases" - matéria praticamente de primeira mão sobre a pesquisa do arquiteto Antônio da Costa Santos que, usando tecnologias como mapeamento por satélite, cruzou dados da cartografia colonial com imagens digitais para reconstituir a Rota dos Goiases, caminho aberto pelos bandeirantes no século 18 para a exploração do ouro do Centro-Oeste brasileiro. O trabalho coloca em questão a tese, predominante na historiografia nacional, de que a fundação das cidades do interior paulista teria se dado de forma aleatória. Na verdade, parece ter sido mais forte do que se considera normalmente a ação deliberada da Coroa Portuguesa para ocupação do território.
Além disso, Com Ciência traz seções de humor (quadrinhos e piadas), imagens científicas (com explicações) e link para a Ofjor Ciência, já que um dos objetivos da revista é aumentar o grau de relacionamento entre os diversos projetos do Labjor.
A idéia do Curso de Jornalismo Científico é que Com Ciência seja ao mesmo tempo um laboratório experimental de jornalismo científico e um meio de comunicação de interesse para jornalistas, divulgadores de ciência e curiosos em geral, além de servir como atividade integradora das disciplinas do Curso, já que alguns dos trabalhos produzidos poderão ser divulgados pela revista.
A maior aposta de Com Ciência está na produção de textos específicos para o formato eletrônico, ou seja, hipertextos que incorporem elementos de interatividade e permitam uma leitura "não-linear" do conteúdo. É o que chamamos de dynapaper, um texto "dinâmico" que pode ser lido de várias formas, por diferentes leitores. Cada artigo ou reportagem será subdivido em diversos textos em que a "navegação" se faz de quatro maneiras: através de um menu de subtítulos, de perguntas ao final de cada texto, de um menu com o número de documentos disponíveis na reportagem ou dos links no próprio texto.
As várias formas de leitura, ou "navegação", permitem que o leitor comece a reportagem pelo "meio", seguindo para o último e daí para o primeiro texto, assim como também lhe permitem seguir a ordem "convencional", indo do primeiro ao último texto. Mais adiante, trabalharemos também com a noção de graus diferentes de complexidade dos textos, o que permitirá a adaptação da reportagem a leitores com níveis de conhecimento diferenciados sobre cada assunto. O formato dynapaper será aplicado à maior parte das reportagens, embora não necessariamente a todos os textos da revista.
A produção dos artigos e reportagens envolve o conjunto dos alunos do Curso, divididos em editorias, sob a coordenação de professores e jornalistas do Labjor. Cada dynapaper é produzido "a várias mãos" e as pautas são propostas pelas próprias editorias. Com Ciência tem um conselho editorial formado por três jornalistas e três cientistas de diferentes áreas de conhecimento, que acompanham o conteúdo da revista, zelam pela ética e precisão das informações e determinam os rumos da política editorial. O desafio de fazer da revista uma experiência coletiva é proposital: Com Ciência quer envolver jornalistas e cientistas em um trabalho conjunto.
O endereço de Com Ciência é <www.epub.org.br/comciencia>.
OLHO NO FUTURO
Bug, transgênicos
e outras preguiças
Vera Silva (*)
Estava lendo artigo do professor Pedro Rezende, da UnB ("Com quantos dígitos se faz uma canoa?", Caderno de Informática do Correio Braziliense, em 28/12/99) onde ele explica o quê e o porquê do que pode acontecer no primeiro momento do ano 2000. Em certo ponto do artigo, ele escreve: "A técnica para se escrever programas de computador ainda está em evolução. Mesmo quem os escreve não pode predizer completamente seu comportamento se os programas são relativamente complexos".
Imediatamente comecei a imaginar os jornais, talvez do ano 2029, escrevendo sobre o bug dos transgênicos: a técnica para se prever as interações genéticas decorrentes das mudanças feitas em sementes ainda está em evolução; "mesmo quem as realiza não é capaz de predizer complemente estas interações porque são muito complexas".
Os milhares de dólares que estão sendo gastos para nos livrar dos efeitos danosos do bug do ano 2000 poderão ser gastos, no futuro, em indenizações a famílias e/ou países cheios de vítimas das imprevisíveis interações genéticas geradas pelas manipulações genéticas.
Antes que você, leitor, me considere atrasada ou contrária ao progresso, quero lembrá-lo dos terríveis efeitos da Talidomida, que causou deformações em milhares de fetos.
Quero chamar a sua atenção para a necessidade de as mudanças desta magnitude exigirem de nós conhecimento e controle sobre todos os possíveis problemas que tal manipulação possa gerar, mesmo daqueles com menor probabilidade de acontecer. Cada povo tem o direito de examinar estes efeitos e decidir se quer ou não optar por isto.
Aquelas letrinhas nas bulas dos remédios, se estivessem escritas em grandes letras, será que a maioria das mães teria tomado a Talidomida?
Será que, consultada, a população do mundo teria optado por diminuir os custos do computador, usando somente dois dígitos para marcar as datas, mesmo sabendo que, no ano 2000, um aparelho de radiação, usado no tratamento do câncer, poderia liberar mais radiação do que a necessária por se enganar com a idade do princípio ativo?
Há muitos anos que estamos considerando que a história não importa, porque hoje é o dia da graça, amanhã quem sabe, carpe diem! Mas, mesmo que não estejamos mais aqui amanhã, nossos filhos, netos e bisnetos estarão, não é mesmo?
Assim, penso que este é o momento de intervirmos no curso desta história dos transgênicos. E a mídia é o nosso veículo de intervenção, ou deveria sê-lo. Não acho correto que a discussão se restrinja a meios científicos ou jornais a que a população em geral não tem acesso, ou porque é analfabeta ou porque não tem dinheiro para comprar jornal, ou mesmo porque se informa apenas pela TV.
A TV precisa imediatamente começar a discutir em horário nobre os alimentos transgênicos, assim como precisa discutir a violência. Se tivéssemos feito isto há 15 anos, quando o problema dos menores infratores, das crianças nas ruas e da miséria absoluta começou a preocupar, será que hoje teríamos que conviver com a violência em nossas vidas?
Gastar dinheiro e preocupação depois não vão resultar em retorno à boa situação de ontem. Não há tecla REW no tempo real.
(*) Psicóloga
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