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OFJOR CIÊNCIA 99
OfJor Ciência 99 – Oficina OnLine de Jornalismo Científico é uma iniciativa do Observatório da Imprensa, Labjor e Uniemp.
PESQUISA
Fuad Gattaz e as tecnologias da inteligência
Nivaldo T. Manzano
No maior esforço editorial da seção "Vida Brasileira" – uma espécie de vitrina que exibe o melhor de sua produção – o jornal Gazeta Mercantil publicou em 28/9/99 uma reportagem de duas páginas intitulada "A fantástica criação do Dr. Gattaz" [ matéria assinada pelos repórteres José de Alencar, Andrea Hafez e pelo diretor de redação e vice-presidente da empresa, Mário de Almeida]. Trata-se de um perfil do cientista brasileiro Fuad Gattaz Sobrinho, ex-pesquisador da Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) e, provavelmente, a primeira referência mundial na pesquisa das tecnologias da inteligência.
Para dizer da dimensão do trabalho do jovem cientista nascido em São José do Rio Preto, SP, que revolucionou a informática no mundo ao transformar a "máquina de Turing" [modelo matemático desenvolvido pelo cientista inglês Alan Turing, na primeira metade do século 20, e que constitui, junto com o hardware e os periféricos, o tripé das ciências da computação] numa máquina contextual, bastaria informar que a "máquina de Fuad" dá suporte computacional a todos os megaprojetos de envergadura planetária, do Genoma Humano à conquista espacial; da integração mundial das telecomunicações, como foi o projeto Iridium, da Motorola, ao projeto Guerra nas Estrelas. Segundo observou um especialista da área, "a tecnologia de Fuad vai provocar no mercado mundial de software e serviços uma reviravolta somente comparável à do advento dos PCs". Atualmente, parte das soluções tecnológicas aportadas por Gattaz é utilizada por mais de 300 multinacionais que respondem conjuntamente pela geração de um terço do PIB mundial.
A publicação da matéria pela Gazeta Mercantil não encontrou a menor repercussão na imprensa. Fica por conta do leitor imaginar o que poderá ter ocorrido (inadvertência, omissão, despeito?). Ao retomar aqui o feito genial de Gattaz, meu propósito é propiciar ao leitor uma oportunidade de avaliar, na cobertura jornalística, a quantas anda a auto-estima nacional ou a subserviência a padrões importados quando se trata da inteligência brasileira. Peço licença para fazer uma digressão sobre paradigmas científicos e inovações tecnológicas, para que se possa situar a questão na dimensão que merece: com Gattaz, o Brasil passa a deter a liderança virtual absoluta nas tecnologias da inteligência.
Conflitos crônicos
Fuad Gattaz criou um ambiente computacional para a gestão da inteligência da realidade que viria a surpreender o mundo da engenharia de software por ter alçado as tecnologias da inteligência a um novo patamar – a possibilidade de se lidar com o que é vivo. Ou seja, o mundo humano. A sua contribuição contrapõe-se ao enfoque atual que caracteriza as tecnologias de informática, presas a soluções fixas e fechadas à incorporação de mudanças em tempo real, como se coubesse à máquina gerir o gestor e não este à máquina.
Assim como Newton generalizou numa lei universal as soluções tópicas de Galileu, a computação, apoiada na potência do cálculo, na lógica matemática e na cibernética, tornou possível a universalização de um modelo formal supostamente capaz de lidar com todo e qualquer tipo de problema.
O computador define-se como uma tecnologia que, em vez de substâncias materiais, processa modelos lingüísticos (programas) ou informações discretas, dotadas de propriedades incomuns ao mundo real: podem ser facilmente replicadas com um dispêndio mínimo de energia, com absoluta identidade e sem rebeldia, como convém à docilidade binária e à mansidão lógica do universo funcional compreendido pelo princípio da não-contradição.
A realização dessa proeza – de caráter discreto (abstrato), repita-se – assenta no pressuposto de que esses modelos lingüísticos, de fácil operação automática, são auto-suficientes, auto-gerenciáveis e capazes de oferecer soluções completas, exaustivas e sem ambigüidade, em contraste com a linguagem propriamente dita, sempre arisca às investidas totalitárias da lógica e cujos significados são com freqüência ambíguos e inesgotáveis tanto quanto o são o entreolhar dos amantes, um concerto de Mozart ou uma pintura de Dali. Os cientistas clássicos, na verdade, acreditam que a sua missão consiste em não fazer outra coisa senão remover as ambigüidades e os paradoxos com que a realidade teimosamente se nos apresenta. Não é por outra razão que Platão expulsou de sua República os poetas, ou seja, o sonho e a utopia.
Por isso, enquanto a linguagem propriamente dita, a partir de um número limitado de sinais, permite construir um número ilimitado de sentenças, a computação, com a máquina de Turing, remove as propriedades da infinitude e da exponenciação da linguagem, para emprestar à execução do programa um resultado implícita e previamente conhecido, como se tratasse de uma demonstração de caráter dedutivo, de aplicação universal e independente de contexto. "Deus não joga dados", dissera Einstein. O que quer dizer que não se poderia fazer ciência de uma partida de xadrez, de um indivíduo ou de uma singularidade, pois para ser ciência é preciso que a verdade científica seja universal. Trata-se, diríamos nós, de uma nostalgia incurável da verdade divina e do caráter absoluto de sua certeza.
A evolução das tecnologias de informática, concebida nesses termos, seria uma demonstração cabal de que o mundo humano dispensará a decisão do próprio homem tão logo o dr. Strangelove conclua a série de algoritmos que fariam a realidade andar sozinha. Nessa antevisão do futuro seria possível imaginar, por exemplo, a possibilidade de se saber de antemão com precisão tudo o que pode resultar de segurar um gato pelo rabo. Para a consagração do ideal científico inaugurado por Newton e reavivado pelas ciências da computação, ficaria demonstrado, enfim, o teorema da vida. Ou seja, que é possível controlar a realidade.
É em oposição a tal ilusão ingênua que Gattaz se insurge, ao nos brindar com um enfoque tecnológico que convida à criatividade exponencial, depois de se ter rendido à evidência de que, por maior que seja nossa pretensão de controle, a realidade é maior do que nós, dispondo por isso de todas as opções de controle que possamos imaginar e de nós também. Abriu, assim, para as ciências da computação um novo horizonte, agora reconhecidamente encrespado e rebelde como o são as inconsistências e os conflitos crônicos e irremovíveis que caracterizam as situações da vida quotidiana e dos negócios e que nos incitam à criatividade. No modelo formal das linguagens computacionais, Gattaz restabelece, assim, a possibilidade de errar, ou seja, de acertar, devolvendo à arte-ciência da computação a sua dimensão humana.
Gatilho da mudança
Que o paradigma da física newtoniana, da causalidade linear, dos modelos matriciais ou hierárquicos, estivesse em crise, não era novidade. Há muito se sabe que a visão clássica da ciência é incapaz de abordar fenômenos complexos sem mutilá-los. Descartes e os cientistas do século 18 haviam descrito o cosmos como uma grande relojoaria, arrancando, já então, gargalhadas do enciclopedista Diderot. Concebendo a realidade como um estado de mudança, o filósofo das Luzes a enxergava mais parecida com um embrião, ou um ovo. Mas foi preciso esperar até a primeira metade do século vinte para se ouvir do biólogo austríaco Ludwig von Bertalanffy, criador da Teoria Geral dos Sistemas, que o paradigma da física não permite distinguir um cão vivo de um cão morto ["Teoria Geral dos Sistemas", Petrópolis, Vozes, 1977].
Bertalanffy mostrou que a ciência clássica não fora criada para lidar com a vida. Por conveniência política e comodidade dos cientistas prevalecera durante quase quatro séculos o modelo do equilíbrio geral, que não corresponde a realidade concreta alguma. Esse modelo pressupõe o conhecimento preciso das condições iniciais (posição, velocidade etc.), dos corpos em interação, sem o que não seria possível realizar o ideal do controle ilusório da realidade, mediante a preditibilidade. Se a omelete não pudesse retornar à casca do ovo pelas trajetórias reversíveis da mecânica, os planejadores e os economistas positivistas seriam despedidos por quem lhes garantia o sustento. Mas quem, além do demônio de Laplace, seria capaz de determinar com precisão as condições iniciais? – se pergunta o prêmio Nobel de Química de 1977, Ilya Prigogine ["A Nova Aliança", Brasília, UnB, 1984], três quartos de século depois de Henri Poincaré.
Lembre-se de que antes do advento da ciência clássica esse papel era reservado aos magos da corte, à pitonisa, aos arúspices e aos sacerdotes. Não estranha, assim, o espanto com que a comunidade científica rendeu-se à evidência do "efeito borboleta", descrito por Edward Lorenz em 1962. Tal efeito significa que o bater de asas de uma borboleta na Amazônia tem influência sobre o clima mundial e que o clima mundial tem influência sobre o bater de asas da borboleta, não se podendo antecipar o resultado da co-evolução interativa entre os fenômenos.
Esse problema encontra na filosofia, na cultura ou na política a expressão correspondente de que não existem soluções fechadas ou definitivas; que o destino humano é uma questão aberta sobre um futuro que se desconhece. A experiência do passado nos diz apenas o que não convém, mas o que convém está ainda na dependência de nossa capacidade criativa e de nossa responsabilidade ética de identificar no contexto a direção que adiciona valor ao ser humano.
Com isso, Lorenz, depois de Poincaré, destituiu as pretensões absolutistas da matemática, fazendo-nos divisar uma limitação intrínseca e insuperável em nossa potência de cálculo, quando se trata de lidar com problemas que implicam a auto-recorrência. Pela magnitude da reação ao modelo meteorológico não-linear de Lorenz – que reduzia a pó a fé científica na preditibilidade, a exemplo do que fizera antes na física quântica Heisenberg com seu princípio da incerteza –, pôde-se observar quão arraigado era o preconceito newtoniano e cartesiano, que fazia do fenômeno vivo um espantalho.
Coube ao biólogo chileno Humberto Maturana (1963) avançar para além dessa "ciência das coisas" e propor, com seu modelo da autopoesis ( do grego auto: próprio, e poiein: fazer, gerar) a idéia dos seres vivos como sistemas auto-organizantes [Maturana, H. e Varela, F., "De Máquinas e Seres Vivos", Porto Alegre, Artes Médicas, 1997]. Assim, o DNA participaria da síntese das proteínas do citoplasma da célula, ao mesmo tempo em que essas proteínas participam da síntese do DNA. Ou seja, a produção celular seria um processo auto-recorrente: o que a célula produz é o que produz a célula. Ou ainda: as células não apenas se reproduzem, mas reproduzem também a própria capacidade de se reproduzir. Ao restabelecer a irredutibilidade do ser vivo, auto-recorrente, à coisa da física, Maturana cortou pela raiz as pretensões ilusórias de ciberneticistas que já se viam na iminência de poder produzir máquinas pensantes a partir da gramática universal de Chomsky.
A auto-reprodução do ser vivo (a cultura, o mundo humano) tem como característica fundamental transcorrer em estados de mudança, de não-equilíbrio, totalmente avessos à lei do pêndulo. Define-se abstratamente um estado biológico de equilíbrio como aquele em que os componentes do sistema apresentam um comportamento repetitivamente similar. Na realidade biológica, porém, o processo dominante é o regular rompimento do estado de equilíbrio. O bebê começa a se alimentar e eis o primeiro rompimento de seu estado de equilíbrio: ele passa a crescer. O crescimento caracteriza-se, portanto, pela exploração continuada de novas formas de continuidade. A perturbação do sistema, ou seja, o desafio e o impulso ao crescimento, é o gatilho que dispara a mudança. A cada mudança de estado surgem novas demandas, e a cada demanda satisfeita, surgem novas carências relativas. Assim, a retroalimentação das demandas satisfeitas amplia as carências relativas em um processo de expansão não-linear continuada.
Pode ocorrer também, em alternativas dramáticas, que à falta de satisfação das demandas, a carência acabe por conduzir o organismo (a empresa, a cadeia produtiva, o mercado, a cultura dos índios Craós, o Brasil sob o neoliberalismo etc.) a buscar seu equilíbrio regressivamente em um estágio evolutivo anterior (a criança pára de crescer) ou, ainda, na hipótese pior, o organismo não consegue adequar-se ao novo contexto e acaba por se esgotar e extinguir-se. Foi mais ou menos o que ocorreu com a China dos Ming. Estes, como se sabe, jogaram no lixo no século 14 as tecnologias de domínio chinês (o aço, a pólvora, o papel, os tipos móveis da imprensa, a bússola etc.) que viriam a caracterizar no século 18 a Revolução Industrial do Ocidente. Como resultado, os ingleses dominariam a China, fazendo inscrever numa plaqueta fincada no gramado dos jardins de Xangai os dizeres: "É proibido o trânsito de cães e de chineses".
Geração automática
A proeza de Gattaz nas ciências da computação corresponde à de Maturana na biologia, à parte o fato de que a sua álgebra contextual de grafos não encontra paralelo em parte alguma. É feito seu. Criou um Ambiente computacional de Gestão da Inteligência da Realidade (AGIR) que gera automaticamente um software capaz de gerir estados de mudança, capaz portanto de incorporar recursivamente em tempo real os efeitos colaterais gerados pelo próprio processo de mudança. É como se a máquina contextual de Fuad fosse capaz de acompanhar as estonteantes mudanças de contexto por que passa a conversa entre duas mulheres ao telefone.
Trata-se de um modelo de representação da realidade, em tecnologia de software e de processos, que gera a si mesmo ao tempo em que incorpora mudanças geradas pela co-evolução do problema, ou de sua solução, o que vem a dar no mesmo, uma vez que não se está mais diante das tais condições iniciais da física clássica e sim da continuidade interativa e co-evolutiva do problema.
Fuad realizou no mundo tecnológico o sonho milenar de promover a coexistência cronicamente conflitiva, inconsistente e criativa entre as dimensões contínua e descontínua da realidade, entre a maneira masculina e a maneira feminina de enxergá-la, entre o finito e o infinito, entre a abordagem analítica e a abordagem experimental. [Henri Poincaré dedicou a essa questão seu primeiro livro "A Ciência e a Hipótese", Brasília, UnB, 1984. O matemático e físico francês apontou a "contradição insolúvel" que Gattaz resolve matemática e tecnologicamente ao propor a coexistência necessariamente conflitiva entre ambas as dimensões. Removê-la seria atirar fora a criança com a água suja do banho.] Produziu, em resumo, uma tecnologia capaz de gerir a mudança, a exemplo do ventre de uma mãe grávida que se amolda ao desenvolvimento do feto, orientando o seu crescimento ao mesmo tempo em que se deixa orientar por ele, com ele co-evoluindo. Para tanto, fez com que a axiomática, em vez de ser fixa e independente, passasse a ser dependente do contexto.
O conflito entre a lógica e a vida, constitutivo da realidade, é antecipado e celebrado na literatura no mito de Ulisses, relatado por Homero na Odisséia. Dividido entre permanecer nos braços de Calipso, a mais linda das deusas, e retomar a viagem em direção à sua casa, na ilha de Ítaca, onde o esperava a esposa, Ulisses, depois de sete anos de hesitação, decide enfim partir, consagrando-se na mitologia grega como o primeiro homem a tomar uma decisão. É ao que nos leva a tecnologia de Gattaz: em vez de subordinar o usuário à cantilena mecânica e descontextualizada do realejo informático, como o fazem os softwares atuais de gestão com a suas soluções pré-definidas, o AGIR coloca o usuário diante de seu problema, oferecendo-lhe todos os recursos computacionais conhecidos para que possa tomar a decisão com base na escolha do menor risco, depois de terem sido simuladas as alternativas possíveis. Restabelece-se, assim, o papel soberano do ser humano na gestão de seu mundo, deixando-se para as atividades automáticas da máquina apenas o que é próprio dela, ou seja, o processamento de coisas.
Assim como a realidade encontra-se em estado de mudança, o AGIR está aberto e pronto ao toque do mouse para acolher novos estímulos, representar o problema em seu novo estado de mudança, simulá-lo, emulá-lo e proceder em seguida à geração automática de um novo software, que irá substituir o anterior, em questão de minuto, sem a necessidade de se escrever ou rescrever sequer uma linha de código. Tudo isso a custo, tempo e energia zero, espontânea e automaticamente, dispensando-se totalmente a manutenção, hoje de custo correspondente a cerca de 80% do custo do investimento anual em novas tecnologias de informática [ver Davenport, T., A "Ecologia da Informação", São Paulo, Futura, 1998].
Trata-se da mais próxima imitação da inteligência humana a que se chegou nas tecnologias da inteligência. Pois a inteligência do ser humano, naturalmente auto-recursiva na incorporação espontânea e imediata dos efeitos colaterais gerados por sua própria atividade, não está sujeita a paradas para a sua reengenharia, upgrades, manutenção periódica dos neurônios ou escovação da caixa craniana. Tampouco se deixa conduzir pelo automatismo das soluções mecânicas: cabe ao ser humano e não à máquina – ainda que seja customizada – identificar o contexto no qual serão tomadas as decisões.
Ajustados e impecáveis
Ao assumir tais premissas, o pesquisador brasileiro desafia a direção atual da pesquisa no campo da Inteligência Artificial, fazendo brotar a solução em terreno onde menos se buscava: enquanto grande parte dos cientistas, especialmente de extração anglo-saxã, insiste em transformar a inteligência em coisa, Gattaz botou as coisas em seu devido lugar, restabelecendo a posição soberana da inteligência. Com ele, as máquinas não pensarão; em compensação nos darão condições de enxergar melhor o problema. A máquina jamais enxergará o contexto, porque o contexto é o homem, diria o pesquisador filósofo. Assim a máquina contextual de Fuad permite, pela primeira vez na história das tecnologias da inteligência, abordar aspectos qualitativos da realidade em contraposição aos quantitativos exclusivamente, ou a singularidade em contraposição à universalidade.
Não é preciso ser especialista em informática para avaliar o caráter revolucionário de sua inovação e as perspectivas que se abrem a partir dela para a gestão das instituições, das políticas públicas e dos negócios. Tanto mais que a indústria da informática, em geral, presa a uma visão mercadológica medrosa e oportunista, 'avança' nos processos de gestão integrada como o rabo do cavalo, como atesta o desastre retumbante da reengenharia na década de 90 [ver Fine, C.H., "Mercado em Evolução Contínua", Rio de Janeiro, Campus, 1999 e Bauer, R., "Gestão da Mudança", São Paulo, Atlas, 1999]. Desprovida de tecnologia para desenvolver ambientes capazes de lidar com a singularidade, a indústria de informática, em geral, tem colocado no mercado apenas soluções genéricas que obrigam à mudança da empresa ou da instituição, para ajustá-las à inflexibilidade do software que servirá de suporte à sua gestão. Engessa-se dessa forma a empresa, a instituição, o cliente – a realidade, enfim – para não se desengessar as soluções custosas e perfunctoriamente criativas da indústria de informática.
"É de conhecimento geral", observa Gattaz, "que:
- 80% dos softwares gerados são desperdiçados;
- as atuais tecnologias de informação não contribuem para a visibilidade do desperdício, quando os recursos já são insuficientes;
- as tecnologias de informação não estimulam a criatividade necessária para o desenvolvimento desses produtos;
- a otiminização da produtividade requerida nas organizações é de custo proibitivo;
- os sistemas de informação e gestão são fixos e coíbem a evolução das organizações requerida pelas mudanças da realidade;
- a falta de integrabilidade das tecnologias de informação provocam ineficiência. O processo de integração tradicional consome recursos adicionais correspondentes a no mínimo 50% do total gasto nos projetos."
Entre as características distintivas da inteligência está o re-uso da própria experiência, característica que Gattaz incorporou ao AGIR tornando possível na gestão da instituição ou do negócio a redução do desperdício ao mínimo, tanto quanto o conseguiu na redução do risco, ao tornar possível a simulação e a otimização de partes ou de todo o processo, de forma tal que se pode rastrear, simulando e otimizando, tanto os efeitos colaterais dos processos que afetam um determinado processo quanto os efeitos colaterais dos processos afetados por um único processo integrante do mesmo contexto.
Assim, seria possível rastrear e antever, por exemplo, o impacto da elevação de R$ 1,00 no salário mínimo sobre cada um dos elos das cadeias de produção e de serviços quanto o ricochete desse impacto sobre as políticas públicas e sobre a ação governamental, permitindo a correção de rumos em tempo real. Mas isso é apenas uma ínfima parte das diabruras de que é capaz a máquina contextual de Fuad.
Sabendo-se que uma moderna indústria de papel é constituída de 1,2 milhão de processos, não é difícil imaginar a utilidade da ferramenta made in Brazil para o controle do risco, a diminuição do desperdício, a sincronização dos processos e o aumento da produtividade. Sem falar da exponenciação da criatividade, pois é somente quando se enxerga o problema que surgem idéias para enfrentá-lo. O desafio é enxergá-lo nas suas infinitas ramificações e implicações recursivas, ou seja, aquelas que voltam a incidir sobre as premissas do problema, levando-o a uma mudança de estado, ou a um novo contexto. E a máquina contextual de Fuad não é outra coisa senão uma máquina de se enxergar problemas, para que possam ser resolvidos; em seguida, escolhida a solução desejada, gera-se automaticamente o sistema de informação ou de gestão daquela problemática.
Mas como o sistema de informação tem a sua serventia e atualidade limitadas ao espaço do problema para o qual foi definido, será preciso refazê-lo a cada mudança de estado do problema. Considerando-se que, para cada momento dado, a situação da empresa ou da instituição é sempre singular e irrepetível, por força de seu ajuste necessário e contínuo à mudança do ambiente, será preciso redesenhar o sistema de informação de forma contínua e re-gerar, em seguida, o software imediata e automaticamente.
Daí o nome de "fábrica de software", na qual quem faz o ajuste taylor made ao simples toque do mouse é o usuário, no prazo de urgência por ele próprio definido, sem ter de esperar por Bill Gates ou quem quer que seja por uma solução que, sendo por definição genérica, não convém precisamente a ninguém em particular, tanto quanto um terno prêt-à-porter antes de passar pelas mãos do alfaiate. Com a vantagem de que, no caso da máquina contextual de Fuad, o terno, graças às propriedades do re-uso, pode ser indefinidamente refeito de modo a manter sempre ajustados e impecáveis as suas medidas e o caimento, para se adequar às mudanças do manequim que engordou ou emagreceu. Está-se, pois, operando para além da estatística ou da probabilidade, com soluções qualitativas e singulares, porém necessariamente incompletas, a exemplo do que ocorre com a própria vida ou com o negócio. Sendo incompletas, apresentam a vantagem da melhoria contínua, em processo auto-recorrente e co-evolutivo, como é da natureza da inteligência.
Sonho antigo
Nos centros universitários de excelência no exterior já se registram iniciativas, no ensino e no desenvolvimento de metodologia de processos e de geração tecnológica em software, baseadas crescentemente nas contribuições de Gattaz. O cientista brasileiro coordena atualmente uma rede mundial de pesquisa, integrada por 200 outros cientistas, que orientam cerca de 2,5 mil doutorandos. A China, de sua parte, antecipando-se a qualquer iniciativa brasileira, já adotou oficialmente a metodologia de Gattaz nos cursos de ciências da computação para o mestrado e doutorado. Na Índia, que conta com um pólo de produção de software de intensa vitalidade, cerca de 900 técnicos dela fazem uso. No Brasil, o número de formandos conta-se nos dedos de uma das mãos e a pesquisa tecnológica de Gattaz somente agora começa a despertar timidamente interesse na Academia por iniciativa e com recursos de empresa estrangeira instalada no país, usuária de sua tecnologia no exterior. Atualmente, discute-se no Ministério da Ciência e Tecnologia a adoção da orientação de Gattaz na definição de uma política nacional de software.
Em seus 25 anos de pesquisa tecnológica, Gattaz trabalhou com os olhos voltados para o seu país, em especial para a segurança alimentar e para o agronegócio. Quando de volta dos EUA, onde se doutorou em ciências da computação e administração, percorreu as instituições de pesquisa e universidades do Brasil em busca de parceiros. A receptividade foi praticamente nenhuma. Conseguiu instalar-se no Centro de Tecnologia de Informática, em Campinas, SP, a convite do Ministério de Ciência e Tecnologia do regime militar, que lhe cedeu o local onde deu início a seu projeto de fábrica de software, ainda como pesquisador vinculado à Embrapa. Mas os recursos, de tão minguados, revelaram-se insuficientes para prosseguir em seu trabalho. Posteriormente, deixou a Embrapa para criar, por recomendação da CPI do atraso tecnológico, o Instituto Internacional de Integração de Sistemas, com sede em Campinas, vinculado a outros dez no mundo – todos eles sob a sua coordenação.
Em 1992, encontrou no empresário Ney Bittencourt de Araújo, presidente da Agroceres e da Associação Brasileira de Agribusiness, a liderança empresarial que buscava para alavancar o programa de Segurança Alimentar (que se materializaria no Conselho Nacional de Segurança Alimentar, do governo Itamar Franco, extinto pelo atual) e o projeto de integração das cadeias do agronegócio. O falecimento de Ney e o abandono do programa Segurança Alimentar obrigou-o a bater em outras portas, em busca de recursos. Encontrou-os recentemente em volume muito limitado no Prodasen, do Senado Federal, que em 1998 instalou a sua "fábrica de software" para a gestão do processo legislativo, e em empresas de telecomunicações, entre outras.
O velho sonho de colocar a tecnologia de ponta a serviço da segurança alimentar e do agronegócio brasileiros, no entanto, ainda é sonho. Uma missão do Ministério da Agricultura e Abastecimento, em visita a Washington no primeiro semestre de 1999, em busca de tecnologia de informática para a gestão de cadeias do agronegócio, foi surpreendida pelos anfitriões, que informaram aos visitantes que a melhor e por enquanto única solução para o problema é brasileira. De volta ao país, a missão parece ter convencido o ministro Francisco Turra, que chegou a se interessar vivamente pela sua adoção, às vésperas de cair. Recentemente, Gattaz Sobrinho foi convidado pelo secretário-geral da Presidência da República, Aloysio Nunes Ferrreira, e pelo ministro da Ciência e Tecnologia, Ronaldo Sardenberg, a expor a sua proposta para uma política nacional de software e suas implicações para uma mudança de qualidade na gestão das políticas públicas, especialmente nas áreas de saúde e educação, para a competitividade do negócio nacional e para uma reforma dos currículos superiores das ciências da computação, administração etc. O Exército decidiu adotar a sua tecnologia e espera apenas a liberação de recursos para implantá-la.
Terá chegado, enfim, a oportunidade de o Brasil desfrutar da tecnologia que é sua, depois de vê-la consagrada no Primeiro Mundo? Ou será preciso cuidar de saber, na doutrina da metempsicose, quantas vezes e em quantos lugares é capaz de se reencarnar o espírito dos Ming? A última pergunta não é supérflua: em nossa história tivemos mais de um precedente, a começar pela rainha Dona Maria I, a louca.
PS: Observe-se que as três mais importantes cabeças das ciências da computação são do Terceiro Mundo: Ramamoorthy, indiano, criador da máquina de calcular da HP; Raymond Yeh, chinês, criador da engenharia de software; e Gattaz, discípulo de ambos, criador da "máquina contextual" e responsável pela abertura de uma nova era nas tecnologias da inteligência.
EDUCAÇÃO SEXUAL
O frenesi da cura do câncer (e da obesidade)
Paulo Lotufo, de Boston
Este Observatório tem acompanhado o "frenesi da cura do câncer" desde seu início em maio de 1998, quando o New York Times, em artigo assinado por Gina Kolata, apresentou como definitivo o uso da angiostatina para o tratamento do câncer [veja remissões abaixo]. Na realidade, o fármaco funcionou bem no tratamento de tumores em ratos. Esta reportagem deflagrou incontáveis manchetes e capas de revista em todo o mundo. Um ano e meio depois (outubro/99), a angiostatina começou a ser testada em seres humanos, com resultados previstos para dois ou três anos.
Apesar da torcida por resultados positivos, a possibilidade de fracasso é maior do que a de sucesso, porque o histórico da pesquisa farmacêutica indica que são poucas as drogas que, promissoras na fase experimental, conseguem ser aprovadas em todos os testes clínicos para serem comercializadas. Este aspecto recebeu a atenção novamente de Gina Kolata, que abriu a primeira página do New York Times (27/10/99) para mostrar, agora, o fracasso de um novo remédio para o tratamento da obesidade – a leptina, que há cinco anos foi apresentada com grande estardalhaço na imprensa.
Gina inicia o texto afirmando que "apesar do sensacionalismo com a descoberta da leptina há cinco anos, os estudos em seres humanos desapontaram". Segue citando pesquisa recente e outras, que mostraram que a leptina reduz pouco o peso e às custas de uma freqüência elevada de aplicações subcutâneas.
Apesar de a jornalista e o veículo nunca terem reconhecido que exageraram na dose da "angiostatina", agora, ao abordar o tema "leptina-obesidade", apresentam uma visão realista da pesquisa farmacêutica. Com certeza um bom exemplo a ser imitado por todos os demais veículos que 18 meses foram atrás de Gina e do New York Times na "cura do câncer".
LABJOR
Na trilha de Mário"Nova Missão de Pesquisas Folclóricas", projeto coordenado pelo professor Carlos Vogt, submetido à Fapesp e por ela aprovado, é estruturado sobre a missão organizada por Mário de Andrade, em 1938, para a coleta e registro, no Norte e Nordeste, de manifestações culturais que acabaram por constituir elementos-chave no descobrimento artístico do país, em particular de sua música.
Os cineastas Luiz Adriano Daminello e Jorge Palmari, pesquisadores associados do Labjor, propuseram-se, 60 anos depois, a refazer o roteiro da viagem da missão de Mário de Andrade. E foi o que fizeram, recolhendo um rico material que permitirá, por comparação, entender, entre outras coisas, os processos de transformação por que vem passando a cultura brasileira no século 20.
Fruto desse trabalho é o vídeo, já exibido pela TV Cultura, que atesta a riqueza do material e a competência dos jovens cineastas.
O projeto aprovado pela Fapesp busca, na seqüência, dar organização científica a tudo que foi recolhido nessa "Nova Missão de Pesquisas Folclóricas" e, ao mesmo tempo, fazer nascer daí novos produtos culturais que, sem dúvida, poderão contribuir significativamente para o estudo e a compreensão da identidade cultural brasileira e dos processos dinâmicos de suas transformações.
CULTURA SEXUAL
Valores de dupla face
Comissão de Cidadania e Reprodução (*)
O espaço dedicado ao tema cultura sexual saltou de 42%, no primeiro quadrimestre para 63%, com o registro de uma mudança significativa: hoje, 70% das matérias são de origem nacional. O outro momento em que cultura sexual predominou foi em 1998, quando o episódio Bill Clinton/Monica Lewinsky tomou o noticiário da imprensa em todo o mundo.
O grande boom foi a cultura sexual tratada pela ótica das artes. O cinema, o teatro e a televisão puxaram a pauta: De olhos bem fechados, de Stanley Kubrick, foi o carro-chefe. Nesta nova eclosão da cultura sexual na mídia, estiveram presentes a peça de Marcelo Rubens Paiva (Da boca para fora ) e o novo programa de Martha Suplicy na televisão.
Também foi significativo que 25% das matérias tenham sido produzidas a partir da abordagem das ciências humanas e 7% correspondessem a questões de cidadania e direitos humanos. O enfoque biomédico continua tendo percentual elevado, mas caíram praticamente a zero as abordagens legais, regulatórias e de natureza moral. Neste quadro, dois subtemas foram destaque.
Práticas sexuais e sexualidade
O cinema, mais especificamente De olhos bem fechados, dominou a pauta no tema práticas sexuais. Romance, de Catherine Breillat, também fez sucesso, e Carrington: dias de paixão, que foi exibido há mais de quatro anos, ainda mereceu um quarto de página. No caso do teatro, a peça de Marcelo Rubens Paiva é a mais citada e analisada, mas há muitas outras em cartaz em que a sexualidade é tema principal. Merecem registro De Hair a Rent, Relax e sexy e Filosofia da alcova, do Marquês de Sade. Em sintonia com o clima, a Folha publicou um trecho do romance O padre C., de Georges Bataille, mesmo autor de O erotismo.
Sobre sexualidade, pode-se dizer que a contribuição brasileira é evidente. Dezenas de simpósios, debates e cursos sobre sexualidade foram amplamente noticiados e complementados pelas habituais seções de sexualidade de O Globo, por dezenas de entrevistas com artistas e cineastas e muitos artigos de opinião. Freud entrou em pauta e os grandes tópicos foram a sexualidade feminina, o desencontro entre homens e mulheres, a sexualidade e o amor.
Houve muito espaço para o sexo na Internet. O must já não mais foi pedofilia, mas o jovem casal que se apaixonou num chat e fugiu de casa. Entre as matérias sobre sexo na televisão, o foco não ficou com as novelas: Marta Suplicy reinaria quase soberana, não fossem algumas matérias sobre sexualidade na TV americana (a maioria sugere que nossos vizinhos do Norte são mais contidos quando se trata de sexo na telinha).
Homossexualidade, bissexualidade, pedofilia e pornografia
O ponto mais importante deste subtema foi a atenção dirigida a questões ligadas aos direitos sexuais: a concessão judicial de adoção de crianças a homossexuais e transexuais, a autorização de mudança de documentos oficiais no caso de transexuais, a instalação do Disque Denúncia Homossexual (DDH) pelo governo do estado do Rio de Janeiro para receber denúncias de abuso de direitos. Em geral, estes casos são tratados como isolados, mas quando analisados juntos dão a nítida impressão de que algo está mudando na maneira como as "minorias sexuais" são tratadas e encaradas pelo Estado brasileiro – e esta mudança sugere uma nova fase na conceitualização de direitos sexuais e reprodutivos no sentido mais amplo.
A mudança que as reportagens sugerem no plano dos direitos parece intimamente ligada a pelo menos dois outros fatores amplamente constatados nas matérias: a atenção cada vez mais evidente que a mídia vem dando ao movimento homossexual como movimento social legítimo (e ao mesmo tempo alegre e chamativo nas manchetes) e a maior aceitação de sexualidades alternativas.
O destaque do período vai para a cobertura do Dia de Orgulho Gay, comemorado mundialmente no dia 28 de junho, que gerou diversas matérias, além de ter aberto espaço para explicações sobre as origens do movimento gay americano e europeu. A atitude da mídia permitiu, pelo menos no plano das representações sociais, a vinculação entre o nascente movimento brasileiro e a tendência mundial de construir a sexualidade como ponto de luta política.
Também aqui a arte e a cultura puxaram essa discussão na cultura popular. Diversas reportagens trataram das polêmicas em torno das personagens homossexuais da novela Suave veneno: críticas de ativistas gays, defesas de lideranças opostas, a censura da TV Globo ao beijo homossexual, o contra-ataque do escritor da novela. Nesta linha, a Internet fez a sua parte: foi grande o espaço para artigos sobre namoro na Web, pais procurando limitar o acesso dos filhos aos sites homossexuais etc.
A cultura ofereceu à imprensa a oportunidade de debater a transformação dos valores sexuais. A dupla face dos valores sexuais atuais foi claramente registrada nas reportagens sobre homossexualidade, bissexualidade, transexualidade, pedofilia e outras práticas não-normativas. Os valores contraditórios da sociedade estão em plena evidência, e a mídia cumpriu o seu papel de debate e contestação neste processo de mudança sociocultural. Infelizmente, porém, ainda são numerosas as matérias que tratam da diferença sexual com um tom leviano, que às vezes parece sair do humor para entrar no deboche. A cobertura também nos lembra que a mudança é sempre dolorosa e contestada, o que é especialmente verdade no caso de sexualidades não-normativas. São muito freqüentes as matérias que registram atos de violência contra gays e lésbicas – o que demonstra o papel importante da imprensa em documentar e denunciar estes atos.
(*) Site da CCR: www.ccr.gov.br
SAÚDE/DOENÇA
Mídia limitada ao marketing
Isak Bejzman (*)
"Esculápio, o deus da medicina, teve duas filhas: Panacea, a deusa da cura ou da assistência médica, e Hygea, a deusa da higiene ou da medicina preventiva. Como todo pai, ele acreditava que as duas filhas fossem cooperar em vez de competir. Mas a competição prevaleceu, pois se Hygea obtivesse sucesso completo Panacea ficaria desempregada; e se Panacea, como vem acontecendo, fosse a preferida da opinião pública, do governo e da classe médica, quem ouviria os vulgares conselhos de Hygea?" [Landman, 1986]
Fica fácil entender que Panacea levou a melhor, pelo poder que ela tem. O que não se sabe, pois parece não haver registro, é até onde os meios de comunicação colaboraram para que isto acontecesse. Entretanto, o que se vê é que os meios de comunicação de massa se limitam a um marketing de assistência médica ao consumidor.
Deputados federais gaúchos como Fontana (médico) e Marchezan pelejam pelos jornais, um querendo ter mais razão do que o outro, enquanto o povo espera informações concretas dos meios de comunicação que demonstrem as diversas práticas de promover a "saúde" e a efetiva participação deste povo na gestão de seus problemas de saúde. Será que algum dia poderemos ressuscitar Hygea?
Individual e coletivo
Saúde é um bem duplo; é individual e coletivo. Sontag faz epidemiologia de forma poética. Ela diz: "A doença é o lado sombrio da vida, uma espécie de cidadania mais onerosa. Todas as pessoas vivas têm dupla cidadania, uma no reino da saúde e outra no reino da doença. Embora todos prefiramos usar somente o bom passaporte, mais cedo ou mais tarde cada um de nós será obrigado, pelo menos por curto período, a identificar-se como cidadão de outro país." (Sontag, 1984)
A alteração do normal, sob o ponto de vista médico, pode ser de duas maneiras: por problemas teratológicos (malformações ao nascer) e problemas nosológicos, que incluem as doenças de tipo somático, fisiopatológico (do corpo) ou psicopatológico (doenças mentais). (Canguilhem, 1990)
Como se vê, doença e saúde não são entidades à parte; vivem em comunhão. O indivíduo pode estar doente e não apresentar sintomas; é o que os patologistas chamam de período pré-patogênico. Com a manifestação de sintomas fica clara a existência de um quadro clínico que vai necessitar de um diagnóstico, sempre que for possível. A saúde coletiva tem a finalidade de impedir a trajetória saúde/doença.
A visão dos doutores
Segundo o professor-doutor Aloísio Achutti (FM/UFRGS), saúde e doença são duas variáveis inseparáveis. Para ele é preciso que se situe o conceito de ambas dentro da vida em geral: "Toda vida, como tem um início e necessariamente um fim, a gente pode encontrar, por mais saudável que seja, ao seu final, uma doença ou alguma coisa que pode até ser difícil de ser rotulada como doença dentro do caso. A gente tem sempre a idéia de que a doença é uma coisa crônica, mas alguma coisa que termina com a vida. Então esses dois conceitos são interligados. Do ponto de vista prático, o importante em usar a idéia ‘processo saúde/doença’ é exatamente para não desvincular as duas idéias." (Achutti, 1991, entrevista)
Lalonde Marc, em sua obra A new perspctive on the Health of Canada (apud Scliar, 1987), criou um conceito útil para analisar os fatores que intervêm na saúde, e nos quais a Saúde Pública deve, por sua vez, intervir. Ele denominou a área em questão (onde o processo saúde/doença se desenrola) de "campo de saúde" (health field), configurando sua formação pela biologia humana, o meio ambiente, o estilo de vida e a organização da assistência à saúde.
Em 1949, Winslow (apud Scliar, 1987) definiu saúde pública da seguinte forma: "Saúde Pública é a ciência e a arte de evitar a doença, prolongar a vida e promover a saúde física e mental e a eficiência através de esforços organizados pela comunidade, visando o saneamento do meio, o controle das infecções comunitárias, a educação do indivíduo nos princípios de higiene pessoal, a organização de serviços médicos e de enfermagem para o diagnóstico precoce e o tratamento da doença e o desenvolvimento dos mecanismos sociais que assegurarão, a cada pessoa da comunidade, o padrão de vida adequado para a manutenção da saúde." Last (apud Scliar, 1987, p. 7) é simples e categórico: "Saúde Pública é uma prática, uma disciplina e uma instituição social."
Mídia pela doença
Observando a imprensa brasileira, a impressão que se tem é de que a mídia tem prazer em satisfazer as pessoas que aparentemente têm interesse em falar mais de doença do que de saúde. Por outro lado, parece que o complexo médico-hospital-indústria de equipamentos médicos-indústria farmacêutica sabe utilizar a mídia bem melhor que o povo.
A imprensa brasileira não se dá conta de que o Brasil, com problemas sanitários típicos do Terceiro Mundo – moléstias endêmicas, epidêmicas e pandêmicas infecto-contagiosas e parasitárias convivem com as doenças de Primeiro Mundo, as crônico-degenerativas como lúpus, Alzheimer, artrite reumatóide, esclerose múltipla etc. –, continua sendo um país no qual predominam doenças de massa (dengue, malária, esquistossomose, cólera, tuberculose, Aids etc.). Não bastasse esse quadro trágico, ele está sendo agravado pelas "mortes por causas externas" (violência, acidentes do trabalho e de trânsito) e pelas "doenças emergentes" (doenças novas). É importante notar que nos países do Primeiro Mundo as doenças crônico-degenerativas já estão diminuindo em quantidade, e no Brasil doenças que já estavam extintas estão retornando.
Na classificação de doenças possíveis causadoras de morte incluo fome, problemas de urbanização e habitação, péssimo acesso à educação, crianças de rua, prostituição infantil, acidentes do trabalho, má atenção materno-infantil, falta de cuidados neonatais e perinatais, má assistência à criança e ao adolescente, falta de higiene pessoal e coletiva, acidentes de trânsito, hábitos como narcóticos, álcool, tabaco, má assistência à saúde mental, pouca ênfase à fisiologia e à higiene do exercício, aos cuidados com o corpo em geral, à sexualidade, aos problemas geracionais como gravidez, anticoncepcionais, aborto.
Uma nova doença
E é preciso acrescentar uma nova entidade: medicamentos. Sei que vão estranhar que eu considere medicamentos como se doença fosse. Mas é. Infelizmente, no Brasil, o remédio não existe para curar. Ele sofre desvios. Há um mar de produtos no mercado, totalmente desnecessários; a grande maioria tem potencial tóxico indesejável; costuma ser alvo de prescrição irracional e traz consigo o flagelo da "quimização" (automedicação).
Ao optar pela medicina assistência, relegando a prevenção a um quinto plano, o Brasil optou concomitantemente pela medicina sofisticada, eminentemente tecnológica. Os deputados Fontana e Marchezan podem discutir até o desespero, e nenhum dos dois vai resolver o problema do dinheiro necessário a uma assistência médica eficiente ao povo brasileiro. Os avanços tecnológicos ocorrem da noite para o dia. O custo desse tipo de medicina cresce em proporção geométrica. Os equipamentos médicos que ontem eram de primeira geração hoje já são de quinta. Com isso, a própria medicina passou a ser uma questão de Saúde Pública. Os fóruns brasileiros estão cheios de processos contra médicos que alegadamente incorreram em erros iatrogênicos, e a assistência médica virou um saco sem fundo num mar de marketing, uma guerra pelo lucro entre médicos.
Em "Contraposição saúde e comunicação social", escrevi, em 1981: trabalhar este campo é trabalhar um campo de conceitos e ações bastante diversos. Mais diversas ainda são as concepções que o tema abrange e as fontes onde buscar as experiências que possam fundamentar a prática da Comunicação Social na ajuda ao povo brasileiro na conquista de sua saúde, à qual ele tem direito como cidadão.
A hora da cobrança
O SUS, inserido na Constituição brasileira, é uma conquista da cidadania que a imprensa brasileira não tem o direito de ignorar. É preciso que a imprensa brasileira colabore efetivamente com o povo no sentido de que seja dado um basta à medicalização da questão social. E quanto ao SUS, está na hora de o povo assumir suas responsabilidades junto às comissões de saúde se apropriando do que lhe pertence, o gerenciamento do SUS. O debate da questão Comunicação Social em saúde no Brasil está mais atrasado que nunca.
O tema saúde não é propriedade do médico nem da medicina. O médico e a medicina têm a ver com a doença, a saúde deve ter uma abordagem interdisciplinar e pluriprofissional para que o cidadão possa ter direito aos serviços de promoção de saúde: educação e informação plenas, participação na organização, na gestão e no controle dos serviços e das ações de saúde.
O contraponto da Comunicação Social está aí. As críticas às autoridades são muito importantes, mas o marketing ao consumidor deve ser superado pela garantia do acesso à informação para o cidadão do que vem a ser e o que são práticas de saúde (educação popular em saúde), com a finalidade de incentivar o cidadão a participar plenamente da gestão do SUS.
Referências bibliográficas:
Canguilhem, George – O normal e o patológico. 3ªed. ver.aum. Rio, Forense Universitária, 1990.
IBGE (Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – Estatísticas de saúde. Assistência médico sanitária. Rio. IBGE, v.13, p. xxxi, 1988.
Kloetzel, Kurt – Temas de Saúde: Higiene física e do ambiente. São Paulo: EPU, 1980.
Landman, Jayme – Evitando a saúde & promovendo a doença. 4 ed.. Rio: Guanabara Dois, 1986.
Rozenfeld, Suely – O uso de medicamentos no Brasil. In: Laporte, Joan Ramon et al – Epidemiologia do medicamento. São Paulo: HUCITEC—ABRASCO, 1989. (Coleção Saúde em Debate, 26).
Scliar, Moacyr – Do mágico ao social: a trajetória da Saúde Pública. Porto Alegre: L&PM, 1987.
Sontag, Susan – A doença como metáfora. Rio: Graal, 1984 (coleção Tendências, 6).
Bejzman, Isak – Saúde Pública e Comunicação Social no Brasil. Monografia: Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, Faculdade dos Meios de Comunicação Social, Habilitação em Jornalismo.
(*) Jornalista e médico psiquiatra
ASPAS
Trudy Lieberman
"No final do ano passado, a NBC começou a proclamar as virtudes de uma nova ‘super aspirina’, a droga Celebrex, que está sendo comercializada em conjunto pela G. D. Searle e a Pfizer Inc., e que logo se tornaria a nova droga mais rapidamente vendida até os dias de hoje.
Em 1º de dezembro, o Noticiário da Noite informou que o quadro consultivo para artrite da Food and Drug Administration, que havia estudado a droga, tinha recomendado sua aprovação pela FDA. O texto destacava o Dr. Joseph Markenson – identificado como trabalhando ‘com o Hospital para Cirurgias Especiais em Nova York’ – dizendo que o Celebrex, a primeira de uma nova classe de drogas contra a dor, iria ‘revolucionar a indústria porque se tratava de um grupo totalmente novo de drogas que serão seguras’.
No dia seguinte, no programa Today, o Dr. Steven Abramson, o médico que chefiava o quadro consultivo, desconsiderou os potenciais efeitos colaterais da droga. ‘Pode ocasionar algumas úlceras’, disse ele, ‘porém bem menos do que outras drogas’ com as quais o Celebrex estava sendo comparado: os agentes anti-inflamatórios não-estereodais (NSAIDS=nonsteroidal anti-inflammatory agents), tais como aspirina e ibuprofen.
Em janeiro, depois que a FDA havia aprovado o Celebrex, Dateline, da NBC, trouxe Markenson de volta dizendo que ele havia monitorado rigorosamente um dos pacientes que havia sido selecionado no programa, através dos testes da droga.
Embora Dateline tenha mencionado que a FDA ‘havia insistido’ num rótulo de advertência, ela depois apresentou Markenson dando uma mensagem tranqüilizadora. Finalmente, em fevereiro, o Noticiário da Noite voltou ao Celebrex com Tom Brokaw declarando que nos testes clínicos o Celebrex ‘provou ser muito eficiente no tratamento da dor, sem quaisquer efeitos colaterais’.
Os relatos da NBC eram bem típicos da reportagem sobre o Celebrex: a imprensa tendia a salientar os achados positivos; com freqüência falhava em reportar que havia ainda dados desconhecidos; e passou por cima de aspectos potencialmente negativos. E algumas vezes escondia que suas fontes tinham vínculos financeiros com a empresa fabricante da droga. Por exemplo, a NBC não informou que Markenson havia ajudado a testar a droga como clínico pesquisador da Searle. O porta-voz da Searle admitiu que é ‘uma prática padrão da indústria compensar os médicos pelo tempo despendido com a pesquisa’, mas não disse quanto. Markenson informou que o dinheiro foi para o hospital. ‘O contrato era entre mim, a Searle e o hospital’, disse ele. O dinheiro pago foi pelo tempo despendido, a enfermagem, os médicos e o equipamento especial necessário. Não é tudo lucro para a universidade ou para o pesquisador, mas há algum ganho porque senão ninguém o faria’.
Os jornalistas poderiam ter feito perguntas mais incisivas sobre os efeitos do Celebrex a longo prazo. Por exemplo, estudo da Universidade da Pennsylvania, publicado em janeiro nos Procedimentos da Academia Nacional de Ciências, discutiu um possível risco de coagulação sangüínea que pode resultar em ataque do coração e derrames cerebrais. O estudo, que recomendava testes clínicos mais amplos, foi financiado pela Searle, embora isto não tenha sido divulgado nos releases da empresa sobre o Celebrex. (A Searle diz que o estudo chegou a ‘conclusões altamente especulativas’, embora o Dr. G. A. FitzGerald, seu autor senior, tenha dito que o estudo levantou ‘uma bandeira (um sinal) sobre a qual as pessoas não tinham pensado antes’.) A NBC mencionou brevemente os potenciais riscos cardiovasculares no seu programa em janeiro, mas não o fez no de fevereiro. Uma pesquisa da Nexis apenas citou partes do estudo, a maioria das quais na TV local.
O Wall Street Journal fez algumas pesquisas próprias. Usando os resultados de uma petição do Decreto de Liberdade de Informação, o Journal informou em 20 de abril que o Celebrex estava ligado a 10 mortes e 11 casos de hemorragia gastrointestinal, durante os três primeiros meses em que estava no mercado. (O FDA respondeu que o produto não apresentou ‘algum risco especial’ naquela ocasião. A Searle disse que a droga estava ‘funcionando conforme o esperado’.)
Ainda havia sinais de alerta sobre o Celebrex que poderiam ter levado a reportagens mais equilibradas sobre a droga. Por exemplo: a FDA aprovou a droga somente para artrite reumatóide e osteoartrite; não para dor aguda como os fabricantes queriam porque, de acordo com a FDA, não havia evidência suficiente que comprovasse sua eficácia para esse fim.
Apesar do desejo da empresa em evitar um rótulo de advertência, a FDA exigiu exatamente o mesmo rótulo que exige para todos os produtos NSAID, mencionando a potencialidade de sangramento gastrointestinal.
Quando a FDA aprovou a droga, ela observou que ‘seriam necessários estudos adicionais em muitos milhares de pacientes para ver se o Celebrex realmente causa menos complicações gastrointestinais sérias do que outros produtos NSAID’.
Como diz a Scott-Levin, uma empresa de consultoria, em sua publicação Pharmaceutical Quarterly, o Celebrex obteve um ‘endosso morno’ da FDA. Também com a ajuda da imprensa, as vendas dessa droga ultrapassaram até as do Viagra: rendeu cerca de 600 milhões de dólares nos primeiros 6 meses.
A imprensa muitas vezes faz um trabalho deficiente ao informar sobre novas drogas. Os resultados de um estudo conduzido na Escola de Medicina da Universidade de Harvard – e financiado pelo The Commonwealth Fund e pela Fundação Harvard Pilgrim Health Care – sugere que a cobertura que a mídia deu ao Celebrex não foi incomum (?).
As conclusões de Harvard, apresentadas em duas conferências públicas, enfocaram a cobertura que a mídia fez do Fosamex, uma droga que recompõe a substância óssea; do Pravastatin, um agente redutor do colesterol; e do uso da aspirina para prevenir doença cardiovascular.
Numa amostragem de 207 relatos na TV e nos jornais, sobre novas drogas, levados ao ar ou publicados entre 1994 e 1998, os cientistas de Harvard descobriram que 53% não mencionavam riscos potenciais e efeitos colaterais. E 61% dos relatos que citavam um clínico especialista ou um estudo com vínculos financeiros com as empresas fabricantes da droga não revelavam essa ligação.
O estudo lembrou outra séria deficiência na cobertura: como os benefícios das drogas são muitas vezes apresentados na imprensa. Por exemplo, os pesquisadores descobriram que quando o Fosamex estava entrando no mercado, em 1996, todas as três redes de noticiários da noite informaram que as mulheres que haviam ingerido a droga tiveram 50% menos de fraturas de bacia, ou que a droga diminuiu os riscos de fratura em mais ou menos a metade – um número que indica o chamado risco relativo.
O risco relativo, apesar de correto, dá apenas um quadro parcial. Ele mede o risco do resultado adverso naqueles que recebem tratamento, dividido pelo risco no grupo de controle. Por exemplo, num teste do Fosamex, 2% das mulheres que recebiam o placebo tiveram fratura de bacia, enquanto 1% do grupo que tomava a droga, não. Em termos relativos, isto é uma redução de 50%.
Mas em termos de risco absoluto – o risco de um resultado adverso no grupo de controle menos o risco no grupo de tratamento – a diferença é de apenas 1% de redução. Isso impressiona muito menos e provavelmente não aparecerá nos releases das empresas. Mas poderá ser mais útil para uma mulher que está avaliando os riscos potenciais e os efeitos a longo prazo. ‘Há muitas circunstâncias nas quais o risco relativo não torna todo o quadro conhecido’, diz o Dr. Mark Chassim, chefe do Departamento de Políticas da Saúde da Escola de Medicina do Mount Sinai, em Nova Iorque.
Os pesquisadores de Harvard descobriram que dos 124 relatos que quantificavam os benefícios 83% usaram o aspecto/quadro relativo que impressionava mais, e 3% usaram o aspecto absoluto. Somente 14% apresentaram os dois, o que daria ao leitor ou ao espectador os instrumentos necessários para fazer um julgamento.
‘A distorção dos números é nossa maior perdição, tanto para os médicos como para os pacientes’, diz o Dr. Robert Rangno, professor assistente de Farmacologia e Terapêutica da Universidade da Columbia Britânica. Rangno tenta ajudar os médicos a interpretar adequadamente as drogas, e suas idéias também se aplicam aos jornalistas:
Se as conseqüências de longo prazo por ingestão de drogas não são conhecidas, digam-no. Examinem os documentos de revisão da FDA que algumas vezes estão no seu site.
Prestem atenção às advertências nos releases da FDA e da Medical Letter on Drugs and Therapeutics, uma respeitada newsletter. Sobre o Celebrex, a Letter disse que os estudos sobre o curto prazo mostraram que ele causava menos úlceras do que drogas mais antigas, mas a publicação prevenia que ‘ainda precisa ser comprovado se os sangramentos gastrointestinais sérios ocorrem com menos freqüência’.
Interpretem de forma realista os benefícios e os riscos, e não confiem unicamente no aspecto relativo. Perguntem aos fabricantes das drogas sobre vínculos financeiros com os especialistas clínicos que são indicados para discutir uma nova droga. (Editora de política da saúde para a Consumer Reports e editora colaboradora da Columbia Review of Journalism)"
"Novas drogas: uma dose de realidade", copyright Columbia Review of Journalism. Tradução de Grete Bezjman
CARTAS
Galileu ou Galisteu?
Muito boa a matéria do Sudário [veja remissão abaixo]. Acompanhei como pude os detalhes técnicos, e apesar da minha leiguice, pelo bom senso qualquer um pode concordar com a demonstração do autor. É notável o materialismo destes fiéis, que precisam de uma prova "científica" na marra para fundamentar sua crença. A Galileu, se continuar assim ávida de sensacionalismo, pode até mudar o nome para Galisteu.
Spacca

Frenesi da cura do câncer 1 e 2
O Santo Sudário
Genéricos
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