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OFJOR CIÊNCIA
OfJor Ciência 2000 – Oficina OnLine de Jornalismo Científico é uma iniciativa do Observatório da Imprensa, Labjor e Uniemp.
CONFERÊNCIA DE HAIA
Jornalistas fizeram feio
O correspondente ambiental Alex Kirby, da BBC, acompanhou todo o encontro em Haia, Holanda, no qual delegações de mais de 150 países lutaram, em vão, para finalizar o tratado do Protocolo de Kyoto, sobre mudanças climáticas.
Segundo o correspondente, em matéria de 25/11/00, se alguém esperou aprender mais sobre a ciência das mudanças climáticas, certamente percebeu que Haia não era o lugar certo. Houve momentos de incompreensão devido ao jargão bizantino utilizado pelas partes negociantes, além de horas e horas de tédio implacável.
Um jornalista inglês encontrou tão pouco a fazer durante a reunião que voou para casa para uma visita conjugal noturna, confiante de que estaria de volta pela manhã sem ter perdido nada – e não perdeu.
Talvez a impressão mais forte tenha sido de que a conferência foi quase totalmente irreal. Foi um mundo de Alice no País das Maravilhas, em que palavras adquirem significados aos quais nunca foram designadas, e homens e mulheres sérios acreditam em inúmeras coisas impossíveis. Por isso, tais conferências são eventos bem mais diplomáticos que científicos.
Conferencistas ingleses ficaram entre os que sublinharam como as enchentes recentes lembraram a todos da ameaça das mudanças climáticas. As memórias, porém, são curtas, e é quase certo que o primeiro vento sinalizador do inverno estimulará a reprise de um pedido que se vê muito nas diferentes redações locais. Trata-se de algo como "está nevando novamente em Muckle Flugga. Tanto alarde para toda essa besteira de aquecimento global. Você pode escrever uma nota dizendo que a Era Glacial está quase sob nós?"
Se a mudança climática esteve entre as principais matérias da semana, provavelmente encontrará um longo período de estiagem até voltar à tona. Isso é viver no mundo imediatista, obstinado pelo presente. Que os filhos, netos e bisnetos do futuro sofram as conseqüências.
Ocupados demais com as eleições
O editorial do dia 27 de novembro do Irish Times lembra que Mark Twain, insubstituível escritor norte-americano, lembrou sarcasticamente certa vez que todos conversam sobre o tempo, mas ninguém toma qualquer atitude a respeito.
Os Estados Unidos estavam patinando sobre gelos finos em Haia. Não apenas por causa da deplorável torta na cara de Frank Loy, o negociador principal, mas também pelo fato de emissoras de TV norte-americanas estarem obcecadas pelas intermináveis eleições presidenciais, praticamente ignorando o futuro do planeta.
O show dos tablóides
O acordo sobre o Protocolo de Kyoto parecia ter sido alcançado após alguns negociadores fundamentais da União Européia e de um grupo que incluiu americanos, canadenses e japoneses, terem chegado a um consenso no início do dia 25. Mas o acordo precisava ser aprovado pelo resto da delegação da UE, e as delegações representantes não chegaram a um acordo.
De acordo com matéria de Clar Ni Chonghaile [Associated Press, 27/11/00], os tablóides ingleses mais notoriamente sinceros ingressaram em uma guerra de palavras na segunda-feira, dia 27. A troca de insultos entre Dominique Voynet, ministra do Meio Ambiente da França, e John Prescott, vice-primeiro-ministro britânico, foi o combustível.
"Quão desmiolados são os políticos franceses?", questionava o Sun. O Mirror publicou com estardalhaço sua manchete de capa, "muito cansada para salvar a Terra", acompanhada de grande foto de Voynet. A seção Internacional do Guardian disse que a briga foi "uma luta de extraordinárias gírias internacionais."
Segundo matéria da emissora inglesa ITN (28/11/00), a polêmica sobre o comportamento machista de Prescott, o qual afirmou que a culpa pelo fracasso do encontro de Haia era da ministra Dominique Voynet – "ela estava tão esgotada e cansada que não conseguia mais entender os detalhes do acordo e, por isso, não quis aceitá-lo", disse –, aparece em destaque em todos os cadernos internacionais dos jornais. Enquanto isso, no dia 28, outros tablóides detalham o falso estupro alegado por uma mulher, contra o pop star Mick Hucknall.
O Times disse que Prescott está obsessivamente tentando reparar sua imagem, após ser acusado pelos franceses de se comportar como um "macho man" inveterado, quando as negociações sobre mudanças climáticas entraram em colapso, no fim-de-semana anterior. O Guardian afirma como o problemático Prescott se recusou a recuar diante de acusações européias furiosas de que se comportou de forma machista.
O Sun, o Star e o Mirror reportam o caso Mick Hucknall. O Telegraph destaca o fato de que diversos homens armados do IRA podem ter feito parte do grupo de 34 sujeitos não-identificados no Domingo Sangrento. O Independent explica o descarrilhamento do trem Virgin, que ocorreu no domingo. O Financial Times afirma que Cazenove, uma das mais poderosas e secretas firmas londrinas, está abandonando sua parceria e tornando-se uma companhia pública. O Express diz que a miséria e o caos nas vias férreas continuarão no ano que vem. O Mail afirma que chefes receberam cartão verde para demitir empregados que abusam do uso de e-mail.
O Star bateu o recorde. Além de noticiar o caso Mick Hucknall, destaca que o roqueiro Ginger Fish, baterista de Marilyn Manson, correu para o hospital depois de pegar uma gripe durante a última barulheira proferida pela estrela.
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