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SCIENCE
Greve de ensaios
A prestigiada revista científica americana Science vive situação delicada. De acordo com Joe Hagan [Folio, 30/5/01], tanto os leitores quanto a própria mídia prestam grande atenção aos estudos pioneiros divulgados na Science. Um exemplo típico foi recente reunião sobre os chamados "nanotubes" – filamentos atômicos de carbono que podem ser usados para reduzir chips de computadores – publicada na Science em primeira mão e repercutida em primeira página no New York Times.
Entre pesquisadores competindo pelo primeiro lugar em universidades e corporações, ter um ensaio publicado na Science é currículo enfeitado com ouro. É assim desde 1880, quando Thomas Edison lançou o periódico. No entanto, a Science parece balançar com a nova era da internet. Mais que nunca, a revista parece ameaçada pela questão de como oferecer conteúdo online sem diminuir a circulação impressa.
Nos últimos cinco anos a Science trava uma batalha para ligar a tradicional revista impressa ao lançamento da Science Online, em 1996. Há três anos, começou a cobrar o acesso ao conteúdo do sítio. A mudança ajudou, mas causou polêmica. A comunidade científica está boicotando a revista por colocar os lucros da publicação provindos do acesso à internet acima de seu compromisso sem fins lucrativos de servir ao mundo da ciência com pesquisas atuais e de fácil acesso.
Em recente carta aos leitores, o editor-chefe Donald Kennedy escreveu: "Num mundo em que publicações eletrônicas e impressas coexistem, nosso cenário financeiro é mais complexo e arriscado. Temos que equilibrar a necessidade de faturamento da Science impressa contra a necessidade de oferecer a cientistas de todos os lugares as vantagens da internet." A Science é o braço financeiro da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).
Queda livre
A circulação da Science, segundo três fontes confiáveis, já começou a cair. A tensão começou em julho do ano passado, quando a revista baixou da marca de 150 mil exemplares. Tentando conter o declínio, a Science iniciou um sistema baseado em taxas em 1998, pelo qual bibliotecas e universidades deveriam pagar anuidades para acessar a revista e seu arquivo online.
De acordo com Michael Spinella, diretor da AAAS, as licenças do sítio consertaram os danos causados pelo declínio da circulação impressa. Apesar do otimismo de Spinella, o apelo de Kennedy aos leitores mostra o temor que está se apoderando da revista. Na segunda metade de 2000, um grupo sem fins lucrativos chamado Biblioteca Pública da Ciência começou um boicote à Science até que a revista concorde em contribuir para as pesquisas publicadas em seu banco de dados gratuito e online de ciência, o PubMed Central.
Até vencedores do Prêmio Nobel aderiram ao boicote. São mais de 20 mil cientistas, incluindo associados da própria AAAS. Segundo Michael Eisen, biólogo molecular de Berkeley que ajudou na formação do boicote, se a AAAS fizesse uma pesquisa, seus sócios pediriam liberdade da ciência. Spinella discorda. "Se uma pessoa justa olha para a organização conclui justamente que não estamos fazendo um mau trabalho", disse.

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