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OFJOR CIÊNCIA
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SCIENCE VS. AVANÇA BRASIL
Global Press"O 'Avança Brasil' é criticado em artigo do jornal Science", copyright O Estado de S. Paulo, 19/01/01
"Um artigo publicado na última edição do conceituado jornal Science, sob o título ‘O futuro da Amazônia brasileira’ adverte que a construção de estradas na região pode destruir a floresta, com um custo ecológico para o país muito maior que os ganhos econômicos.
Os jornais The New York Times e o inglês The Independent deram destaque ao assunto em suas edições de hoje.
‘O Brasil precisa acomodar sua crescente população e à medida que os pobres se dirigem para a fronteira do país em busca de uma vida melhor a pressão recai na Amazônia. Mas nesse processo o Brasil pode acabar perdendo seu recurso mais valioso - sua floresta tropical - alertaram William Laurance, do Smithsonian Tropical Research Institute, Mark Cochrane, pesquisador da Michigan State University e equipes da Oregon State University e do projeto Biological Dynamics of Forest Fragments, do Brasil.
'A Amazônia brasileira contém cerca de 40 por cento do que ainda resta de floresta tropical no mundo e tem um papel vital na manutenção da biodiversidade, do clima e da hidrologia regional', escreveram eles no artigo publicado pelo jornal Science, nesta sexta-feira.'Tem também o mais alto percentual do mundo de destruição de floresta, quase dois milhões de hectares por ano', acrescentaram os especialistas.
Cochrane disse que o grupo está formulando uma lista das implicações dessa destruição para que 'eles saibam quais são as conseqüências. Achamos que ainda não perceberam bem isso'.
Os cientistas estudaram o projeto de US$40 bilhões 'Avança Brasil' que prevê a construção em sete anos de rodovias, estradas de ferro, oleodutos, projetos agrícolas, de mineração, exploração de petróleo e hidrelétricas, com a necessária transferência para a região do pessoal que neles irá trabalhar.
A equipe de Cochrane usou fotos de satélite para analisar o impacto causado por projetos de desenvolvimento anteriores e fizeram uma projeção do que vai acontecer nos próximos vinte anos.
Eles prevêem que as novas rodovias vão devastar a floresta, o que significa mais incêndios, menos vida selvagem e a liberação de gases que causam o efeito estufa e provocam o aquecimento global,’ diz a matéria da Reuters que saiu no NYT."
Global Press
"Boicote ao Brasil!", copyright O Estado de S. Paulo, 23/01/01
"O jornal inglês The Independent publicou hoje em sua seção de cartas dos leitores uma sugestão para que a Inglaterra boicote o Brasil. O leitor Colin Hingston escreveu: ‘Fiquei chocado ao ler a reportagem 'Sentença de morte para a Amazônia', publicada no dia 19 de janeiro. O governo brasileiro está claramente insensível à questão do aquecimento global, além de empedernidamente indiferente ou ingenuamente alheio à opinião pública mundial.
Sugiro que o Independent lidere uma campanha de boicote total a todos os produtos desse país. Meu café brasileiro já foi para a lata do lixo’.
Abaixo, estamos republicando o artigo que tanto irritou o leitor.
Sentença de morte para a Amazônia
Governo brasileiro é acusado de não consultar seu próprio ministério do Meio Ambiente, com o objetivo de acelerar o desmatamento.
Cientistas disseram que um projeto de US$40 bilhões vai destruir 95 por cento da Floresta Amazônica até 2020, destacou o editor de Ciência do jornal The Independent, Steve Connor. ‘A mais detalhada investigação sobre o futuro da maior floresta tropical do mundo estima que apenas cinco por cento da Amazônia poderão estar preservados em seu estado virgem no ano 2020.
O cenário pessimista é pintado por uma equipe de cientistas brasileiros e americanos que analisaram como o delicado ecossistema da Amazônia vai reagir a um novo projeto de desenvolvimento de rodovias de US$40 bilhões.
Os cientistas acreditam que dentro de vinte anos, a floresta vai estar extremamente reduzida em relação a seu tamanho atual como resultado direto do ambicioso projeto chamado 'Avança Brasil', que inclui a construção de rodovias, ferrovias e hidrelétricas.
Eles acusam o governo brasileiro de não consultar agências ambientalistas, incluindo seu próprio ministério do Meio Ambiente, para acelerar o desmatamento e a derrubada de árvores.
O estudo, liderado por William Laurance, do Smithsonian Tropical Research Institute do Panamá, publicado hoje pelo jornal Science, mostra dois cenários possíveis: um futuro 'otimista' e outro 'não-otimista'. Os dois sugerem que a Amazônia vai ser drasticamente mudada pelos atuais projetos de desenvolvimento. Pelo cenário menos otimista, mais de 95 por cento vão perder seu status de mata virgem e 42 por cento da floresta estarão totalmente destruídos ou seriamente degradados no ano 2020’."
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