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FONTES
Por que a timidez dos físicos

Henrique Klein Pedroso (*)

Escrevo acerca dos comentários contidos neste Observatório sobre os problemas que a mídia tem tido com a comunidade científica, no intuito de ajudá-los a lidar com a comunidade cientifica e, particularmente, com os físicos, categoria à qual eu mesmo pertenço.

Existe um problema muito sério de arrogância e ao mesmo tempo, paradoxalmente, de covardia dos físicos perante determinados assuntos. Das duas grandes teorias físicas desenvolvidas no século passado (mecânica quântica e teoria da relatividade), temos a primeira como um exemplo claro de construção coletiva, tendo dela participado centenas de cientistas com contribuições diversas (exemplos: Bohr, Heisenberg, Schrodinger, Bohm, Pauli, Dirac, Oppenheimer etc. etc. etc.). A segunda teoria, relativística, é considerada, senão de forma explicita, pelo menos de forma implícita, como propriedade exclusiva de um único cientista, Albert Einstein, cujo gênio foi endeusado, mitificado e mistificado pela própria mídia.

Não é verdade que Einstein seja o único construtor da teoria da relatividade. As transformações de espaço-tempo são obra de dois cientistas, Fitzgerald e Lorentz, as experiências que conduziram a formulação do princípio relativístico são obra de Michelson e Morley; até a famosa equação E=mc2 é obra do matemático francês Poincaré. Existem fortes indícios de que os cálculos tensoriais foram introduzidos na teoria geral da relatividade por uma contribuição de sua primeira mulher, Mileva. Esta falsa impressão de exclusividade de Einstein sobre sua teoria acabou gerando uma imensa covardia por parte dos atuais físicos quando se trata de questionar os seus pressupostos básicos e resultados, mesmo quando estes são contraditos por dados experimentais.

Um exemplo grandiloqüente disto: o professor Waldir Rodrigues, do Departamento de Matemática Aplicada da Unicamp, publicou recentemente um artigo na revista Foundations of Physics mostrando a possibilidade de se construir um emissor de ondas eletromagnéticas que podem trafegar a uma velocidade maior que a da luz. Mais ainda, mostra claramente que a propagação de um tal sinal viola o principio relativístico.

Pois bem, para nossa surpresa, acessando o site da Unicamp, ficamos sabendo que o referido professor realizou uma conferência naquela instituição retratando-se do que havia afirmado no artigo. Medo de seus colegas cientistas? Ou da própria mídia, que pode muito bem interpretar qualquer ataque a esta teoria científica como sendo manifestação de anti-semitismo, e não como uma discussão científica?

Eis porque os cientistas se sentem muito mais à vontade para discutir a mecânica quântica do que a relatividade.

(*) Físico, email <hklein@uaimail.com.br>



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