09/12/2003 2/2

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JORNALISMO CIENTÍFICO
A ciência no dia-a-dia

Fabricio Mazocco (*)

Publicado no sítio ScienceNet <www.sciencenet.com.br/portugues/
1pagina/1paginaatual.htm
>; edição de novembro de 2003

A cada novo dia, a ciência vem com uma nova descoberta, um novo processo, gerando não só novos conhecimentos como contribuindo para o desenvolvimento de novas tecnologias à serviço de uma nova sociedade. Até aqui, nada de novo.

Dentre vários motivos utilizados nas editorias da imprensa para a divulgação de uma notícia está a novidade, o novo, que direta ou indiretamente interfere, de modo positivo ou negativo, na sociedade. Sendo assim, caberia a pergunta: por que a ciência não ocupa um espaço maior nas páginas de jornais ou nos noticiários de rádio e televisão, já que, de uma lado oferece-se o novo, e do outro, procura-se o novo?

A divulgação da ciência na imprensa iniciou-se na primeira metade do século passado, surgindo assim o jornalismo científico. Em 1921 foi criada a primeira agência de notícia científica nos Estados Unidos, a Science Service, o que fez com que diminuísse o abismo entre cientistas e sociedade, fazendo com que as pessoas passassem a se interessar cada vez mais pelos achados científicos. No Brasil, somente na década de 60, o jornalismo científico começou a se configurar, organizando-se na década seguinte para crescer sensivelmente na década de 80.

Por muito tempo as notícias científicas equilibravam-se e confundiam ciência e pseudociência.

O sensacionalismo foi a tônica da "venda" dos informes da ciência. Foi e continua sendo, talvez em menor grau. Mas essa é uma outra discussão. O fato é contamos hoje com especialistas da informação, como é o caso dos jornalistas científicos, porém o espaço destinado a esses assuntos é bem menor do que poderia ser. Poucos são os veículos que dedicam um caderno, uma página, uma seção para a divulgação da ciência. É claro que aqui não estou tratando de veículos especializados, como hoje temos as revistas Ciência Hoje, a Galileu, a Superinteressante. Refiro-me aos veículos de grande circulação, diários, de assuntos variados, seja jornal, rádio ou TV e porque não a Internet.

Mesmo o jornalista científico...

Mesmo o jornalista científico desempenhando o papel de tradutor das pesquisas geradas em laboratórios narradas em linguagem (na maioria das vezes), diríamos técnico-acadêmica por pesquisadores, a ciência parece ainda ser privilégios de poucos e de interesse de alguns, o que não é verdade. Mas há uma outra questão. Se a dinâmica do dia-a-dia oferece pouco tempo para a busca de informação, por que me interessar pelo noticiário científico e não pelo local, político, econômico, cultural ou esportivo, que de fato e de cultura e por imposição da mídia é, ou parece ser, mais atraente?!

Assim, parece-me claro que o jornalismo científico não deve ficar restrito às seções ou editorias específica. A ciência pode e deve estar presente em todos os noticiários, comprovando, analisando ou sugerindo os efeitos dos fatos. A ciência hoje nos dá um enorme leque de opções de temas e assuntos objetos de pesquisa. De ciências sociais, conflitos históricos, teorias econômicas, relações pessoais, passando pela dança, artes plásticas, esforços físicos, até os efeitos das correntes de ar, os estudos científicos oferecem subsídios comprovados que podem auxiliar a todo e qualquer noticiário. Quais os efeitos de novas medidas econômicas adotadas pelo governo?

O por quê de tantos conflitos por motivos religiosos? Por que essa pintura representa tanto e a outra nem tanto assim? Se não tem a resposta propriamente dita, a ciência ao menos tem o caminho, uma sugestão para a resposta.

A imprensa, de uma maneira geral, deveria utilizar mais a ciência nos noticiários, em quase todo ele. Ela deve estar nas editorias de esporte, política, cotidiano, economia, cultura, local, informática etc, unindo o factual com o científico. Assim, o leitor aprende e entende que a ciência faz sim parte de seu dia-a-dia, de sua rotina diária, e que E=mc2 um dia poderá significar muita coisa em sua vida.

(*) Jornalista científico da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar)

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