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OFJOR CIÊNCIA
OfJor Ciência 2001 – Oficina OnLine de Jornalismo Científico é uma iniciativa do Observatório da Imprensa, Labjor e Uniemp.
IN VITRO
Ulisses Capozoli
Conceito de gene
A Folha publicou (31/3/01, pág A 17) bom texto de Isabel Gerhardt – "Cientistas questionam o conceito de gene". Esse, ao que tudo indica, é um tema que tende a ser retomado com freqüência e não só nas abordagens mais específicas, dos geneticistas.
A idéia de energia vital (o que uma árvore viva tem que uma árvore morta não tem mais?), retomada, entre outros, por sir Fred Hoyle (cosmólogo britânico pai da teoria refutada do Estado Estacionário, matemático, escritor de ficção científica e participante na descoberta da origem dos elementos químicos) acena com novas abordagens para o que seria a natureza da vida e, aí, podem entrar os genes, numa interessante abordagem interdisciplinar.
O genoma humano sugeriu, recentemente, que o gene não é aquilo que uma boa parte (não todos, evidentemente) dos biólogos, para usar um termo mais geral, dizia que era. Ou seja, o gene tem uma expressão histórica, como outros fatos do mundo, o que não significa ser uma tarefa vulgar descobrir a que história estamos nos referindo.
Doenças e globalização
"Entrevista da Segunda", seção da Folha de S.Paulo, traz pingue-pongue com David Heymann, diretor para doenças transmissíveis da Organização Mundial da Saúde (OMS). O diagnóstico é que a globalização espalha doenças. No caso do Brasil, a mesma Folha traz, na página seguinte à da entrevista com Heymann, outra manchete significativa e intimamente ligada ao assunto: "Verba da pobreza vai para caixa do governo". O dinheiro obtido com a CPMF, vendido com a versão falsa de que seria usado na saúde, está indo para caixa do governo destinado, entre outros fins, a pagar juros. Além disso, capa da editoria de Cotidiano diz que "Surto está ligado a falhas do poder público". O tema, aqui, é o reaparecimento de doenças típicas do Brasil Colonial, como a febre amarela.
Globalização e aquecimento
A Europa, especialmente a Alemanha, registram todos os jornais, tenta ofensiva diplomática para minimizar a recusa dos Estados Unidos em acatar os princípios do Protocolo de Kyoto, destinado a diminuir o aquecimento global e assim evitar o que pode ser o mais grave acidente ambiental da história da humanidade. A posição dos Estados Unidos quanto ao efeito-estufa está longe de ser uma surpresa e é só mais uma evidência da arrogância das relações no âmbito do poder internacional. Daí a necessidade de se ler uma obra como o penúltimo livro do professor Milton Santos, Por Uma Outra Globalização. Nem toda inteligência está perdida.
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