OFJOR CIÊNCIA

OfJor Ciência 2001 – Oficina OnLine de Jornalismo Científico é uma iniciativa do Observatório da Imprensa, Labjor e Uniemp.


LABJOR
Curso de jornalismo científico

Audre Alberguini

As aulas do Curso de Especialização em Jornalismo Científico da Unicamp começaram dia 12 de março, com a apresentação da estrutura do curso, dos professores, dos alunos, das disciplinas e da revista eletrônica Com Ciência, que será utilizada como instrumento para a prática de jornalismo científico. O evento contou com a presença de coordenadores e professores do curso e palestrantes convidados.

Na abertura, o professor Carlos Vogt, coordenador do Labjor, salientou o papel da ciência e da tecnologia na transformação do conhecimento em valor econômico. Para ele, o aumento da produção científica do Brasil nos últimos anos ainda não tem sido acompanhado pelo aumento na geração de riquezas. "O Brasil está bem aparelhado em sistemas de pós-graduação, financiamento de pesquisas e produção de conhecimento. No entanto, o setor que produz riquezas tem pouco envolvimento com o setor produtor de conhecimento", disse. "O setor empresarial continua investindo em áreas com retorno garantido".

Valdair Pinto, diretor-médico da indústria farmacêutica Pzifer, foi um dos palestrantes. Ele destacou a importância do jornalismo científico para o esclarecimento da população acerca de assuntos ligados aos medicamentos e à indústria farmacêutica. "Nem todas as indústrias farmacêuticas desafiam a ética. É necessário uma melhor compreensão de farmacologia e também dessas indústrias", afirmou. A Pfizer está iniciando um convênio de cooperação com o Labjor para o desenvolvimento de projetos de divulgação com os alunos do curso.

Para Valdair Pinto, o jornalismo científico é um campo muito complexo e impõe três grandes desafios aos profissionais. Um deles refere-se à necessidade de conhecer os paradoxos da ciência, principalmente o método científico. Outro é o de comunicar ciência de forma interpretativa e opinativa. "Devemos evitar a comunicação opaca e sensacionalista", disse. O terceiro desafio é o ético e relaciona-se aos conflitos de interesse existentes na ciência que o jornalista deve enfrentar.

Alberto Dines, editor do Observatório da Imprensa e pesquisador-sênior do Labjor, ressaltou em sua palestra que o jornalismo tem compromissos éticos e sociais. "Jornalismo não é uma ciência, e sim uma função social, uma participação pública. Embora não seja ciência, todo jornalismo é científico, pois, como na ciência, busca-se a verdade", afirmou.

O evento contou também com a participação do jornalista Ulisses Capozoli, presidente da Associação Brasileira de Jornalismo Científico (ABJC). De acordo com ele, existe muito analfabetismo científico na sociedade e também dentro das universidades, por falta de uma formação básica em filosofia e história da ciência. "Analfabetismo científico não quer dizer que as pessoas são burras, mas que não reconhecem o conhecimento científico como importante", afirmou Capozolli. Para ele, os jornais trazem uma grande quantidade de informações mas têm dificuldade de interpretar e contextualizar os fatos. "A contribuição do curso é poder melhorar a visão da ciência na sociedade."

Incentivo à multidisciplinaridade

O Curso de Especialização em Jornalismo Científico da Unicamp está em sua segunda edição e é oferecido pelo Labjor, em parceria com o Departamento de Multimeios do Instituto de Artes e com o Departamento de Política Científica e Tecnológica do Instituto de Geociências da Unicamp. A primeira turma formou-se em julho de 2000.

Com duração de três semestres letivos e com aulas às segundas-feiras – nos períodos da manhã e tarde – o curso capacita jornalistas e cientistas para atuarem como divulgadores científicos nos meios de comunicação e em assessorias de imprensa de institutos de pesquisa e universidades, visando a uma cobertura mais crítica dos assuntos relacionados à ciência.

As disciplinas abordam conceitos teóricos das ciências em relação aos aspectos tecnológicos, sociais, históricos, antropológicos e econômicos, bem como a inter-relação destes com divulgação científica e com a prática jornalística, possibilitando a elaboração de reportagens e a compreensão do funcionamento das empresas de comunicação. O contato com jornalistas e cientistas que atuam como divulgadores é feito por intermédio de palestras programadas ao longo de todo o curso. O caráter prático é possibilitado, também, pelas Oficinas de Multimeios e de Jornalismo Científico.

Durante o primeiro semestre deste ano serão oferecidas as disciplinas de Introdução às Técnicas de Reportagem, Entrevista e Redação Jornalística; Ciência, Tecnologia e Sociedade; Seminários de Ciência e Cultura, e Políticas e Instituições de C&T.

A formação do grupo de alunos é marcada pela diversidade na formação acadêmica. São 46 alunos, sendo 22 jornalistas e 24 cientistas distribuídos nas áreas de biologia, biomedicina, bioquímica, ciências sociais, direito, enfermagem, engenharia agronômica, engenharia de alimentos, engenharia de pesca, farmácia, filosofia, física, geografia, história, lingüística, medicina, nutrição e química. O objetivo é incentivar a cooperação e a troca de experiências entre eles através da multidisciplinaridade. A seguir, o programa do curso:

1º Semestre – Introdução às Técnicas de Reportagem, Entrevista e Redação Jornalística; Ciência, Tecnologia e Sociedade; Seminários de Ciência e Cultura; Políticas e Instituições de C&T.

2º Semestre – Oficina de Multimeios; Estudos Sociais da Ciência e da Tecnologia; Fontes de Informação em Ciência e Tecnologia.

3º Semestre – Ética na Ciência e no Jornalismo; Jornalismo, Linguagem, Ciência e Tecnologia; Oficina de Jornalismo Científico.



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