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OFJOR CIÊNCIA
OfJor Ciência 2001 – Oficina OnLine de Jornalismo Científico é uma iniciativa do Observatório da Imprensa, Labjor e Uniemp.
IN VITRO
Ulisses Capozolli
Voracidade do fogo
Os jornais publicaram durante a semana e Veja retomou o assunto em sua última edição [nº 1.701, 23/5/01]. Depois de uma curta pausa, o fogo voltou a queimar a floresta, na Amazônia. De acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), entre agosto de 1999 e agosto de 2000 ocorreu o segundo maior processo de devastação na região, que representa 57% do território brasileiro.
Os olhos dos satélites revelaram que, nesse intervalo de tempo, foram queimados 20 mil quilômetros quadrados, equivalente a um quinto do território de Portugal. Dá um campo de futebol a cada 8 segundos.
Há poucos meses, um estudo produzido pelo Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa) sugeriu que por volta de 2020 perto de 42% da Amazônia estariam devastados. O Ministério da Ciência e Tecnologia contestou os dados, acusando os pesquisadores de terrorismo ambiental. O professor Warwick Kerr, presidente do Inpa, reafirmou a metodologia empregada no trabalho como um reflexo do programa Avança Brasil, particularmente o afastamento de estradas que levam a uma destruição imediata das florestas próximas.
O governo disse que o processo seria vigiado. Mas a verdade é que nem mesmo uma rodovia como a Fernão Dias, ligando São Paulo a Belo Horizonte, com conexões para o Rio e Brasília, tem a vigilância que merece. Há anos submetida a trabalhos de duplicação das pistas, com obras agora paralisadas, em muitos pontos a estrada é mais perigosa que no passado. Erosões enormes se formam às suas margens, com soterramento de cursos d’água e comprometimento de rios e matas ciliares. Se o governo não cuida nem daqui, como é que cuidará de lá?
Usinas de emergência
Os EUA consomem metade da energia do mundo. Os apagões da Califórnia, em que parte de membros do governo buscam brasileiro apoio para justificar a crise energética nacional, podem ser supridos com termoelétricas, usinas à base de carvão, diesel ou gás. O Brasil também pode adotar, especialmente agora, um maior número dessas usinas. O problema é que elas são um enorme foco de poluição, responsáveis especialmente pela formação de chuvas ácidas, uma ameaça que vai de monumentos públicos corroídos à esterilização de lagos e comprometimento da saúde.
Os ambientalistas estão preocupados com as termoelétricas, mas o presidente Bush já demonstrou que problemas desse tipo não integram sua plataforma conservadora. O Brasil, a não ser por queimadas na Amazônia, tem boa presença internacional na emissão de poluentes de usinas elétricas. Quanto tempo isto vai durar depende das alternativas que forem adotadas. A história do apagão tem demonstrado mais desencontros que encontros de opiniões e soluções.
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