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FAPESP
Carlos Vogt assume Conselho Superior

Quinta-feira, 27/6, é a data da posse do professor Carlos Vogt na presidência do Conselho Superior da Fapesp – Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo. Vogt foi reitor da Unicamp (1990-94), é vice-presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo (Labjor), da Unicamp

Incentivador do jornalismo científico no Brasil, Vogt respondeu a cinco perguntas do Observatório da Imprensa antes de assumir suas novas responsabilidades na Fapesp. A seguir, sua entrevista. (Luiz Egypto)

A quantas anda o jornalismo científico pátrio?

Carlos Vogt – Penso que anda melhor do que andava há alguns anos. No Brasil, havia, é claro, a persistente militância de José Reis, que seguiu rica e inteligente até a sua morte, em maio passado. Nos anos 1980 foi criada na SBPC a revista Ciência Hoje e continuou a ser publicada, desde 1949, a revista Ciência e Cultura.

De uns tempos para cá, a atividade foi ganhando focos de institucionalidade: surgiram cursos de pós-graduação, museus e feiras de ciência, novas publicações, entre elas a própria Ciência e Cultura, com novo projeto editorial, a Scientific American Brasil e a revista eletrônica ComCiência, além de programas de TV, com níveis importantes de audiência.

Como avalia a qualidade do diálogo entre a imprensa e a universidade, entre jornalistas e cientistas? A mídia traduz a contento o que se faz nos laboratórios?

C.V. – A qualidade do diálogo entre o jornalista e o cientista, como profissionais, entre a imprensa e a ciência, como instituições, também tem melhorado muito e a mídia tem conseguido repercutir de forma cada vez mais adequada o que acontece na pesquisa, nas descobertas e na inovação da ciência e da tecnologia no país.

O Labjor, que você ajudou a criar, promoveu o primeiro curso de pós-graduação, latu sensu, de Jornalismo Científico. Quais os melhores resultados do curso? E os piores?

C.V. – Os melhores resultados do curso de pós-graduação em Jornalismo Científico do Labjor estão relacionados com o grande interesse pelo assunto que o curso despertou entre jornalistas e cientistas – além da revista ComCiência, que nasceu como um exercício de laboratório e se firmou como uma das mais importantes publicações eletrônicas no gênero. Os piores resultados não conto, porque não há. Só houve bons e melhores.

Há interesse da Fapesp em estimular a divulgação científica? Por quê?

C.V. – A Fapesp tem o maior interesse em estimular a divulgação científica por considerar que o entendimento público da ciência é parte constitutiva do processo social e cultural que permite o desenvolvimento científico e tecnológico do país – que dele se beneficia por enriquecimento crítico e por agregação de riqueza material e espiritual. Basta ver, para confirmar, a criação do programa "Mídia Ciência", de bolsas de jornalismo científico, o apoio que a Fapesp vem dando a programas de TV como o Brasil Pensa, agora em novo formato e nova denominação, produzido e realizado pelo Canal Futura em parceria com o Labjor e o Instituto Uniemp; e também o apoio, juntamente com o CNPq, à revista Ciência e Cultura, da SBPC e da Imprensa Oficial de São Paulo, além de sua excelente revista, Fapesp Pesquisa, publicada mensalmente.

O que você garante que não deixará de fazer na presidência do Conselho Superior da Fapesp? E o que é preciso fazer já, logo depois da posse?

C.V. – Garanto que não deixarei de ser presidente, enquanto for presidente. E para isso o que é preciso fazer, logo depois da posse, é ser presidente.


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