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EDUCAÇÃO CIENTÍFICA
No interesse do cidadão comum

Marcos de Oliveira (*)

A ciência não é mais privilégio de poucos cientistas presos em seus laboratórios, trabalhando para o bem da humanidade. Hoje ela é envolta em disputas político-econômicas e conflitos sociais. Portanto, é necessário colocar a ciência ao alcance de toda a sociedade civil, que é quem a sustenta.

É reconhecida por vários profissionais de ciência (cientistas e pesquisadores) e pelos jornalistas das diversas áreas a importância da pulverização do conhecimento. Assuntos como os avanços e as descobertas da ciência e da tecnologia, das pesquisas que abordam questões de meio ambiente e recursos naturais, bem como os projetos em andamento.

Evidentemente é dever de cientistas e pesquisadores informar sobre suas atividades científicas e seus desenvolvimentos tecnológicos, colocando-os à disposição da sociedade. O método experimental e as matemáticas são características da ciência moderna que, aplicadas na solução de inúmeros problemas práticos, relevantes para a humanidade, ampliaram a responsabilidade de divulgação das atividades científicas. Trata-se da popularização da ciência, significa levar o saber científico aos não-especialistas em ciência.

Constate-se também o interesse que a população brasileira tem pela ciência, a tecnologia e o meio ambiente, como relata pesquisa do Instituto Gallup de Opinião Pública, de 1987, na qual constatou-se que "cerca de 70% da população urbana brasileira têm interesse em ciência e tecnologia". Não se pode pensar em sociedade do bem-estar sem que se associem a ela os papéis desempenhados pela ciência.

Cidadão comum

A educação é outro papel fundamental que a ciência desempenha na sociedade humana. Com as constantes e dinâmicas transformações da sociedade contemporânea, a ciência tornou-se exigência primordial na educação dos povos. Sem dúvida, é sensato afirmar que um país que não mantém pesquisas e descobertas científicas atualizadas em nível educacional estará comprometendo seu futuro.

Sobre isso, Wilson da Costa Bueno afirma que "a função educativa do jornalismo científico é com certeza, a que tem merecido mais atenção de estudiosos e profissionais da área". José Reis também agrega a esta divulgação elevada importância sócio-educacional, visto que no Brasil, assim como em outros países subdesenvolvidos, a escola deixa de ser o veículo mais eficaz de acesso às informações da ciência. "Podemos exercer, pela divulgação científica ou por outras formas de disseminação do conhecimento, um magistério de insuspeitas possibilidades".

Outros autores afirmam que a educação para a ciência, ou educação científica, deve começar o quanto antes. Incutir a "ciência da curiosidade" de forma prematura na vida das pessoas poderá ser o caminho para despertar o interesse futuro por este campo do conhecimento. Sendo assim, uma nação precisa de uma rede de ensino que permita a estruturação das bases da pesquisa científica, criando conseqüentemente uma cultura de ciência nos alicerces da sociedade. E mais, que também promova o quanto antes ampla divulgação das conquistas científico-tecnológicas mais inovadoras para o cidadão comum, para que este possa entender as implicações que tais conquistas poderão causar em sua vida cotidiana.

Sociedade particular

A utilização em salas de aula de materiais resultantes de investimentos em alta tecnologia que, originalmente, seriam utilizados em aplicações científicas é uma outra forma de divulgação científica. O Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) promove, periodicamente, curso que ensina professores da rede de escolas públicas e particulares a utilizar imagens de satélites em sala de aula.

Portanto, tomando como fontes de informação pesquisadores e cientistas, há a necessidade de os meios de comunicação de massa democratizarem descobertas e desenvolvimentos científico-tecnológicos, divulgando-os ao público leigo, tornando os produtores de ciência e as novas tecnologias conhecidos nacionalmente.

Esses agentes da ciência formam evidentemente uma sociedade particular, em certo sentido, pois se especializam e se mantêm em locais específicos, como universidades, centros de pesquisa e de tecnologia. Entretanto, fomentam um conjunto de conhecimentos que deverá ser público. Cada pesquisa pode acrescentar uma contribuição particular que, depois de devidamente registrada, será submetida à crítica e reelaborada. O processo educacional de uma nação ganhará assim novas e concretas contribuições didáticas e de conhecimento com bases científicas, alicerçados e estruturados em pesquisas sérias e de extrema importância para o desenvolvimento social.

(*) Jornalista formado pela Universidade do Vale do Paraíba, São José dos Campos, SP, pós-graduando em Jornalismo Científico na Universidade de Taubaté, SP

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